segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Santo talento!


A designer e artista Estéfi Machado é mais conhecida por sua linha de santinhos feitos em algodão cru estampado, recheados com manta acrílica. Tudo começou com um Santo Antônio, um presente para a mãe de uma amiga. O sucesso foi tão grande que virou notícia e produto. Assim, surgiu o Santo Antônio personalizado: o primeiro santinho da linha, que ganhou outros personagens: sapo encantado, Iemanjá, amuletos e vários outros santinhos com alguma forma de interação com o dono. Além dessas peças, Estéfi desenvolve um trabalho na Turquia com mulheres muçulmanas, e tudo começou com São Jorge, para onde ela foi para conhecer melhor a terra onde o santo teria nascido. Estas e outras experiências com design e trabalho manual, a artista conta nesta entrevista exclusiva para a revista Manual Flávia Ferrari.



Conte para as leitoras de Manual Flávia Ferrari como o design e o trabalho manual entraram em sua vida.
Estéfi Machado. Desde pequena, sempre adorei desenhar, criar minhas próprias coisas, inventava minhas revistas com colagens e jaá diagramava com uma velha máquina de escrever Olivetti! Aliás, qual criança pede uma máquina de escrever como presente de Natal? (risos...)
Além disso, sempre estudei na Waldorf, cujo método pedagógico prioriza as artes tanto quanto o ensino de português e matemática!
Cresci fazendo tricô, pintando com aquarela, fazendo xilogravura, lapidação de pedras preciosas, tecelagem, escultura...E isso, com certeza, me empurrou mais ainda para o trabalho que faço hoje.


Onde você busca as inspirações para o seu trabalho?
E.M. Nas pessoas que eu conheço, com certeza. Adoro fazer presentes e personalizados que ninguém daria, e para isso penso muito na pessoa que receberá o presente. Também adoro estudar referências de outros artistas, ilustradores, e às vezes livros e revistas antigos...


Para você, qual é o papel do design na vida das pessoas? E como ele pode melhorar o nosso dia a dia?
E.M. O design não serve só para deixar nossa vida mais bonita de se ver! Apesar de que isso é muito verdade... (risos). Mas tem uma função, leva uma mensagem, "fala" sem dizer, entende? Convida a experimentar, a exercitar o olhar...


Como o design pode ser um protagonista da sustentabilidade e parceiro da economia criativa?
E.M. O design pode e deve andar junto com a sustentabilidade. Os produtos sustentáveis não precisam ter sempre aquela cara rústica, “natureba”, nem cara de artesanato de feirinha. Existem coisas incríveis nesse mercado hoje em dia.
Aliás, o que faz um produto ser sustentável não é só a cara e o material, mas a atitude que vem junto com ele.


Você já trabalhou o design com comunidades carentes. Conte-nos como foram estes trabalhos e o resultado que agregaram nas famílias.
E.M. Já trabalhei em projetos de geração de renda na Bahia, interior de São Paulo e Minas Gerais. Estas experiências foram muito ricas, porque tínhamos o desafio de criar os produtos junto com a comunidade, aproveitando cada talento do grupo e usando os recursos naturais disponíveis no entorno. E saíram coisas maravilhosas! Alguma foram até exportadas e estiveram à venda em grandes lojas de decoração. E o melhor de tudo, gerou uma renda nunca esperada para essas pessoas. Além de também exercitar nelas o olhar para o ambiente a sua volta e seus recursos naturais.
Atualmente, estou participando de um projeto de geração de renda na Capadócia, Turquia, com uma comunidade de mulheres muçulmanas. Este, mesmo antes das oficinas, já está rendendo muita expectativa e esperança na vila onde São Jorge teria nascido, localizada no Vale de Güzelöz. É uma parceria com a associação Jorge da Capadócia.


Como começou esta parceria?
E.M. Começou em setembro do ano passado, quando a Malga di Paula me procurou para vender meus São Jorges de tecido no site da associação e angariar fundos para o projeto.

Conte-nos mais sobre essa experiência em sua recente viagem à Turquia: o que encontrou, o que mais a impressionou, como são as artesãs e técnicas que pretende aplicar em seu trabalho no Brasil.
E.M. Há algo na Capadócia que arrepia e vira, mexe e faz chorar... Quando cheguei a Güzelöz, na vila onde São jorge teria nascido, fui conhecer as pessoas e o que as mulheres fazem de trabalhos manuais. A primeira impressão e a mais marcante é que as pessoas são todas muito receptivas e abertas à nossa entrada em suas vidas. Sinceramente, achei que pudesse haver alguma "saia justa" em relação a inserir São Jorge no trabalho delas, pois são muçulmanas. Mas surpreendentemente, isso não aconteceu. Quando todos davam seus depoimentos para o documentário que estamos fazendo, todos descreviam São Jorge como um personagem que de fato faz parte da história deles. Aquele cavaleiro com a lança e o dragão sempre esteve ao lado deles, durante a infâancia, nas cavernas e buracos onde brincavam. Então, nada tem de ofensivo, pois de fato faz parte de suas vidas, é inegável.
As mulheres vestem seu próprio trabalho manual. Fazem um barrado de crochê em toda a volta dos lenços que usam nos cabelos, e é um trabalho muito delicado e caprichado, superdetalhista, perfeito. Elas sabem combinar as cores e criam uma harmonia com o restante do lenço que já chega pronto pra elas.
Quando voltamos especificamente para conhecer todo os trabalhos, elas chegaram com muitos panos de prato, bordados em ponto cruz, e quadrinhos com personagens que nem sequer fazem parte de sua cultura, como, por exemplo, o coelhinho da Páscoa. Entendo que elas devam ter um anseio natural de fazer coisas além de sua cultura, mas o que queremos nesse projeto é justamente resgatar e fortalecer o que elas têm de mais autêntico e genuíno.
E foi entrando na casa de uma delas que vi, por acaso, penduradas em uma espécie de varal, algumas peças de tear com cores vibrantes e riquíssimas, com grafismos ao mesmo tempo sutis e fortes. Perguntei por aquele tipo de trabalho e elas disseram que era antigo e que não se fazia mais... A lã era de ovelhas, era cardada e fiada por elas mesmas, e tingida naturalmente.
Foi aí que meu coração palpitou! E pensei, “é isso que vamos fazer!”, ou seja, juntar as gerações, trabalhar no verdadeiro sentido de cooperativa, convidar senhoras mais velhas para passar so conhecimento para outras gerações. E manter viva a arte que realmente pertence à Vila de Güzelöz. As mulheres se mostraram muito receptivas e disseram que o que sugerirmos será bem-vindo se houver a perspectiva de renda para o grupo.
A minha ideia é usar como base o trabalho que elas fazem, o mais tradicional e autêntico, e empregar e peças para o nosso dia a dia, pois os produtos devem ser comprados por turistas que realmente valorizem suas peças, e não por caridade e assistencialismo. Além disso, temos o plano de futuramente exportar as peças em lojas étnicas de comércio solidário, onde serão seguramente valorizadas como merecem.
Combinei com as mulheres de mandar modelos e protótipos de peças de São Paulo, para que elas mesmas conversem e debatam como trazer aquela tradição do tear para os produtos contemporâneos.
E em minha próxima ida à vila, elas mostrarão sua” lição de casa” e faremos uma oficina para decidir a linha de produtos e, depois, produzi-los em quantidade para comercialização local e internacional.
Além da lã nesse trabalho, identifiquei em abundância sementes de abóbora, folhagem, um frutinho espinhoso e o mármore travertino, que se encontra pelas ruas. Ainda iremos testar a funcionalidade deste material, mas certamente o forte dessa vila já está decido por ela mesmo: será o tear feito à mão, aplicado em jogos americanos, almofadas, capas para laptop, slings para carregar bebês, e outros produtos que serão testados em protótipos. E tudo trazendo sempre os grafismo de São Jorge, sutis como os que elas já produzem, e fortes como elas sabem ser.


Depois de conhecermos seu maravilhoso trabalho com São Jorge e as mulheres muçulmanas, diga para nossas leitoras o que é a casa para você!
E.M. A casa? Nossa casa? É o nosso ninho, nossa cara, tudo o que vivemos na vida em cada cantinho, histórias, aconchego... o melhor lugar para se estar.




Serviço
Sobre o trabalho de Estéfi Machado: http://toranjarosa.com –e-mail: estefi@toranjarosa.com
Sobre o trabalho da associação Jorge da Capadócia: www.jorgedacapadocia.com.br

Entrevista publicada na edição nº 1 da revista Manual Flávia Ferrari.

A alegria das festas de antigamente

A empresária Estela Curioni, formada em engenharia civil e proprietária do ateliê de festas Caraminholando, resolveu dar uma guinada na vida de executiva e partiu para a produção de festas “como nos velhos tempos”, inspiradas em sua infância. Nesta entrevista para Manual Flávia Ferrari, Estela abre seu coração e fala sobre a alegria de ser mãe e o prazer de transformar as comemorações em momentos inesquecíveis!


Como se deu a transição de engenheira civil para empresária?
Foi algo recente, que surgiu com a maternidade brinco que foi como uma gestação. Quando nasceu meu primeiro filho, o universo infantil invadiu minha vida e eu não sabia nada. De repente, tive que descobrir como amamentar, descobrir quantas meias são necessárias no enxoval de um recém-nascido, qual a melhor posição para o bebê dormir, o que é um “cueiro”. E veio a possibilidade de poder mergulhar em um mundo de coisas lindas e divertidas que a chegada dos filhos traz.
Quando o assunto era festa infantil, sempre procurava criar algo diferente, com um significado para mim e para as crianças. A cada ano, inventava temas, brincadeiras, lembrancinhas e arranjos diferentes, e fazia com que a festa ficasse mais e mais parecida com a memória que tinha das festas de minha infância.
No nascimento de meu segundo filho, depois da licença-maternidade sendo mãe em tempo integral, vendo tudo acontecer de pertinho, surgiu uma vontade de não voltar mais para a empresa e buscar um caminho diferente. Não sabia ainda o que era, e a primeira decisão foi parar um tempo de trabalhar para fazer um MBA, enquanto decidia o que queria em termos profissionais. Até aí, não imaginava realmente deixar minha vida de executiva. Mas ficando em casa com as crianças e com tempo para pensar em caminhos de carreira, foi quando começou a gestação do meu terceiro “filho” – a Caraminholando, que pari em setembro de 2009. E para abrir a empresa, mantive muito contato com empreendedores e comecei a entender melhor o mercado e minhas habilidades.
O que é mais bacana, hoje, em relação à empresa é que consigo conciliar meus “três” filhos, já que trabalho muito em casa e uso o repertório que aprendo com eles nas festas para fazer as coisas de uma maneira equilibrada e prazerosa.
Do ponto de vista dos negócios, tudo o que aprendi em minhas funções anteriores tem sido uma experiência útil, nada é descartável. Tenho de fazer planejamento estratégico, planilhas de custo e preço, contratação e gerenciamento de equipe, e até para prender os enfeites no teto uso meu aprendizado de engenharia! Ou seja, tudo, de uma certa maneira, me trouxe até aqui.


Onde aprendeu, ou desenvolveu, as técnicas para criar as peças de sua empresa?
Sou muito curiosa com os temas que gosto. A internet foi minha grande escola e a tentativa e erro, parte fundamental e valiosa do processo! Tenho uma biblioteca muito boa também. O processo sempre começa com a definição de um “conceito” por trás das minhas criações. Sempre tem alguma brincadeirinha, alguma sacada como o castelo de cartas que serve de porta-doces na festa da Alice, ou o Toddynho personalizado de cavaleiro, com o canudinho no lugar da espada. Depois que tenho a ideia, corro atrás para viabilizá-la. Nesta hora, acho que minha cabeça de engenheira me ajuda bastante a pensar as coisas no processo, parte por parte: o que faço primeiro e o que pode funcionar para chegar ao resultado que quero. E novamente, com tentativa e erro.
Outra coisa que uso muito é a identidade visual. Cada festa tem um padrão visual que crio primeiro de forma digital, desde os tags dos docinhos até a sinalização da porta dos banheiros ou seja, passo muito tempo em frente ao computador, seja pesquisando ou fazendo os arquivos para imprimir para as festas.
Uso muito também materiais de scrapbook – papéis coloridos, cortadores, clips, glitter etc. Enfim, cada festa gera uma ideia, que gera o uso de materiais que já domino ou materiais novos que vou pesquisar.
E, por fim, quando não sei algo, peço ajuda a quem sabe fazer! Por exemplo, sou um fiasco na máquina de costura, e aí entram meus parceiros para compor o que visualizei na minha cabeça!




Como é trabalhar com temas tão variados – de festas infantis a festas de 90 anos e piqueniques?
Simplesmente maravilhoso! Amo poder variar e não ter rotina, cada hora estar pensando em algo diferente. Mas apesar de trabalhar com todas as idades e diversos níveis de “seriedade”, sempre busco ter um universo lúdico para poder criar por isso, falamos que a Caraminholando “é para crianças na barriga, nascidas e já crescidas”! Mesmo os adultos gostam e querem algo bonito, bacana e divertido na hora de comemorar e de receber.



De onde vêm suas ideias?
Eu busco sempre voltar às referências originais, como filmes, desenhos, livros relacionados ao tema, além, obviamente, da minha “querida” internet. Depois, busco ícones para brincar e passo a criar o conceito da festa, tentando não ser muito literal na criação e fugir do óbvio. É um processo que pode levar semanas ou acontecer em um “click”, que aparece em uma hora que nem estava pensando na festa. Por exemplo, a festa do Lego foi algo que criei na cabeça há muito tempo, mas que precisava de um “cliente” que pedisse o tema e me permitisse executar o que havia pensado. Foram três meses montando caixas, torres, letras com mais de 3.600 pecinhas de Lego, que resultou em uma mesa onde todos os doces, suportes e enfeites eram feitos ou enfeitados com ele.

Como você escolhe os materiais?
Depende da ideia que quero passar com a festa cada material tem uma textura que nos transmite sensações diferentes, como feltro, scrapbook ou tecido. Ou seja, escolho o material que “converse” com o projeto e componha a identidade que criei sofisticado, natural, artesanal. Faço muita coisa sozinha, mas tenho diversos parceiros principalmente na área que envolva costura!


E em casa, como é Estela Curioni?
Bem menos “caraminholenta”! Em casa não sou de inventar muita coisa, de criar coisas para a decoração. Mas adoro receber! Seja família, amigos, vizinhos. Como boa italiana, acredito que a cozinha e a mesa ainda são os melhores lugares para uma boa prosa e risadas.


Como é o seu lado mãe? O que você cria para seus filhos?
É de longe o papel que mais gosto na minha vida. Algo que me completa e que me dá muito prazer e muita preocupação e trabalho também! Quero sempre estar presente, ensinar, mostrar a diferença entre o certo e errado e, ao mesmo tempo, ter espaço para sentar e brincar, dar risada, criar deliciosas lembranças de uma infância feliz como a que tive. É um trabalho diário, de formiguinha, e o fato de ter a Caraminholando e estar muito mais presente na vida deles hoje do que antigamente, me dá muito mais oportunidade de ser a mãe que imaginei ser.

O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Brincar com as crianças, encontrar amigos para um café e assistir a um bom filme. Viajar, seja para o interior onde meus pais moram, seja para a praia ou qualquer outro lugar.
Sua criação para a festa Alice no País das Maravilhas foi divulgada por Amy Atlas, no blog Sweet Designs. Qual a importância para você e para outros brasileiros que trabalham neste segmento?
Existe uma tendência neste segmento de mesas mais conceituais, mais clean e surpreendentes. Acho que a Amy Atlas faz isso muito bem. Brinco que gostaríamos de ser ela quando crescer. Ser reconhecida no blog dela foi algo que me deixou muito feliz e muito importante para a consolidação da Caraminholando. Muitos dos nossos clientes ou jornalistas chegam até nós por meio da divulgação do blog Sweet Designs. Para os brasileiros, vejo que coloca nosso país no mapa de designers de festas no mundo.


Para finalizar, diga para as nossas leitoras o que é “o fazer em casa/para a casa” para você.
Eu acredito que nossa casa deve ter nossa cara e fazer em casa é a maneira de trazer nosso jeito e nossa personalidade para os ambientes, seja uma toalhinha diferente, um arranjinho de temperos na cozinha ou um mural de fotos. Algo que transforme sua casa em uma exteriorização de quem somos.




Estela Curioni ensina a montar uma mesa personalizada


1) Defina uma paleta de cores fora do padrão, com alguma cor forte que ajude a dar personalidade à mesa, como o vermelho, azul ou preto.


2) Ouse na montagem da mesa – esqueça a toalha e use passadeiras no lugar dos convidados.


3) Use o guardanapo para dar um charme especial à mesa. Dobras, laços e porta-guardanapos dão um toque de criatividade e decoram. Se for usar um porta-guardanapo, cuidado para não exagerar. Lembre-se: menos é mais.


4) Use um arranjo baixo no centro da mesa, ou pequenos arranjos do lado esquerdo do prato, oposto ao arranjo de taças.


5) A iluminação também ajuda a decorar e criar um clima aconchegante para receber. Você pode usar velas e uma iluminação mais indireta para ressaltar a decoração da mesa.


Entrevista publicada na edição nº 3 da revista Manual Flávia Ferrari.



A magia de criar

Dentre as inúmeras atividades diárias, como a de fotógrafa, crafteira para seu lar, mãe, esposa, blogueira, Eva Caroline, que diz ser curiosa, ansiosa, inventadeira, também cria para sua loja virtual La Pomme, que produz peças personalizadas. Como tudo começou e como administra tantas coisas ao mesmo tempo, as leitoras descobrirão nesta entrevista.





Você é fotógrafa profissional, então, como partiu para a decoração e confecção de crafts? É herança genética, ou foi a maternidade que despertou toda esta onda criativa em você? Enfim, conte sua história para as leitoras da Manual Flávia Ferrari.
Sabe que eu não me vejo como fotógrafa profissional? Desde pequena tenho paixão por imagem. Sou filha de fotógrafos, meu pai tinha livros e materiais e eu adorava “futucar”. Mas isso ficou bem-adormecido. Aí, me casei com um fotógrafo e minha paixão pela fotografia despertou.

Não me vejo como fotógrafa profissional porque em nosso estúdio não fotografo efetivamente, mas participo da pré e pós-produção. Antes de iniciar um trabalho, Eder, meu marido, e eu sempre trocamos ideias sobre como vamos conduzir o trabalho, mas quem clica mesmo é Eder.

Para mim o mundo craft é a materialização do meu desejo por um mundo mais leve, colorido e gentil. O gosto por fazer com as mãos sempre foi muito forte em mim. Desde sempre, vivo recortando e colando algo em algum lugar. Quando minha mãe tinha uma fábrica de artefatos em couro, pegava os retalhos para fazer coisas para mim - bolsinhas, roupas e objetos para bonecas... E esta época foi muito importante para a base de conhecimento de processos de produção, materiais e ferramentas que tenho hoje, e faz toda a diferença no meu trabalho atual e nas minhas invenções em casa.
Acredito que a criatividade é algo que se constrói, se exercita, se aprimora. Mas também acho que fatores, não sei se genéticos ou influência do meio em que se vive, facilitam esta construção. Venho de uma família muito arteira: minhas tias e avó materna são supercriativas e prendadas; minha avó cozinha e borda como ninguém; uma tia pinta; a outra escreve divinamente; outra faz tudo isso; e por aí vai. Minha mãe não se enquadra em um rótulo, é daquelas que faz bem tudo o que se determina a fazer. Mas essa coisa craft e criatividade atrelada ao emocional estava bem quietinho, lá dentro dela. Toda sua criatividade era voltada para o mundo prático e profissional. E, então, a inspirei esse desejo de ter uma casa colorida, feliz e feita por ela!
A coisa da decoração também acho que tem a mesma história, caminha junto com meu gosto pelo manual, mas acho que um ponto crucial foi a chegada em Recife, quando me mudei da Bahia, e encontrei uma casa enorme e vazia. Comecei a ter vontade de me sentir pertencente àquele lugar, de me enxergar no lugar que eu vivia. Então, aproveitei minha vontade de fazer com as próprias mãos e coloquei a mão na massa. Criei o blog para registrar as mudanças e foi aí que contaminei minha mãe com o “bichinho do faça você mesmo”!


Quais técnicas você gosta?
Técnicas? (risos)... Ah! Sou uma pessoa de ter uma ideia e colocar a mão na massa. Não sou pessoa de teoria, não me atenho à técnica. Eu faço as coisas que a minha cabecinha arquiteta. Corto MDF e faço móveis; colo papel para revestir as coisas; pinto; uso tecido; costuro (muito pouco)... Faço o que precisar fazer para realizar as coisas que imagino, contanto que não tenha etapas longas e que tenha que esperar muito tempo entre uma e outra. Não tenho paciência (é segredo... risos). Comigo é assim, ou sai na hora ou não sai nunca mais. Então, nada de técnicas, é tudo muito na tentativa e erro, tentativa e acerto.


Existe algum segredo para criar peças que encantam e dão um toque especial em cada cantinho da casa?
O segredo principal é pensar com criatividade, sempre procurar o potencial das coisas além do que elas parecem ser. Pensar no que você gosta, na história das pessoas que vivem naquele ambiente ou que vão usar aquele objeto, nas necessidades daquele espaço que você vai transformar. Peças agregadas com algum significado/sentimento sempre dão vida à casa!


Você também gosta de criar na cozinha?
Não! Definitivamente, não! Cozinha é um lugar que vou por obrigação e acho que por isso não consigo criar uma relação de prazer com ela (só se for para comer!). Dizem que cozinho bem e volta e meia faço uma coisinha diferente, mas se puder escolher entre cozinhar e pintar uma parede, teremos paredes pintadas e pratos vazios!


Como surgiu a loja La Pomme? De onde veio o nome?
Hahaha! Pergunta proibida! O marido diz que esta pergunta é perigosa porque me empolgo e não consigo colocar um ponto final na minha resposta! Mas é porque amo falar da La Pomme, então vou resumir. Quando viemos para Recife, em 2005, esta atividade foi meio “abafada” pela fotografia, que era o que estava nos envolvendo e tomando praticamente todo nosso tempo. Mas a criação dos produtos sempre estava na minha cabeça, até que em 2009 decidimos que no ano seguinte daríamos tanta importância aos produtos quanto à fotografia. Foi aí que nasceu a La Pomme – nossa loja virtual de personalizados. Este tempo, de quando começamos até o surgimento da La Pomme, foi importante para amadurecer algumas ideias e o próprio conceito de como trabalhar com os personalizados, quais suportes usar para colocar em prática e materializar os conceitos do nosso trabalho.


Tem alguma peça que criou que é especial para você? Você costuma presentear amigos com suas criações? São presentes mais pessoais, com mais sentimentos?
A La Pomme é especial para mim! Cada produto (principalmente os fabricados por nós) tem um gostinho especial. É maravilho ver o rolo de tecido branco se transformar em uma nécessaire ou carteirinha mágica. Ver aquela pilha de papel branco “virar” cadernetas, agendas, objetos cheios de cor e de vida. Todo o processo de criar a estampa, estampá-la no tecido, cortar, colar, costurar, montar, encadernar e ver o produto aparecer na sua frente é mágico. Por fim, embrulhar em papel de seda, fechar com etiqueta, acomodar na caixinha, perfumá-la e adoçá-la com bombons, amarrá-la com uma fita de cetim e entregá-la ao seu dono. E depois de entregá-la, receber sorrisos, receber de volta todo o carinho que colocamos em sua preparação. Isso é especial!
Tudo que faço, mesmo profissionalmente, termina sendo pessoal, porque para mim é difícil estabelecer esse limite: sou 100% sentimento.


 
Em seu dia a dia, como concilia suas tarefas de administradora de loja, mãe, “criativa” e blogueira?
Sinceramente, não sei! Chega o fim de um dia e eu fiz uma infinidade de coisas. Respondi aos e-mails, gerenciei impressão, dei as instruções de produção do dia e supervisionei. Fiz alguns produtos (que só eu faço por aqui). Entrei em contato com fornecedor, criei um produto novo, fiz fotos dos produtos que estão prontos para ser enviados (praticamente tudo o que produzimos é fotografado antes de ser entregue). Fiz almoço, fui pegar e levar a filhota na escola. Tuitei, postei no blog (nos dois), editei as fotos, produzi a sessão de fotos no estúdio, atendi ao telefone. Ufa! Há dias que acho que não vou dar conta. Mas no fim, tudo dá certo. Ainda tenho de preparar material para o blog pessoal, porque ele é bem autoral e só posto coisas produzidas por mim. Não é simplesmente pesquisar e escrever. Tenho de idealizar, criar e produzir, fotografar o que foi produzido e enquanto está sendo produzido, depois escolher, editar as fotos e, por fim, postar. Dá trabalho, mas eu amo. Não consigo me imaginar quieta, parada... E quando o corpo para e a mente não, já acordei várias vezes com uma ideia e levantei para colocar em prática. Já criei produtos mentalmente enquanto tirava um cochilo! E o lance de ser mãe criativa... Eu acho assim: sou uma pessoa criativa, inquieta e curiosa, impossível isso não influenciar na minha condição de mãe!


É possível ser criativa o tempo todo? E no papel de mãe?
Acho que o papel de mãe é o que exige mais criatividade... (risos). Principalmente hoje, num mundo de valores tão trocados, onde você vale o que você tem e não o que você é. Onde o valor das coisas está no quanto ela custou e não no que ela vai lhe proporcionar. Temos muito claro o tipo de educação que queremos dar para a nossa filha e isso requer muita criatividade, muita dedicação, muito jogo de cintura para mostrar a ela nossos valores sem causar um choque de realidade, nem frustrações muito grandes.
Nunca tinha parado para pensar sobre isso de ser criativa o tempo todo, ou não. Acho que criatividade é algo que se exercita, é estar sempre atento e manter os olhos abertos e enxergar além. Vejo possibilidades e me inspiro em tudo o que me rodeia, filmes, livros, música, internet. Tenho ideias quando vejo um portão diferente, ou reparo naquele detalhe do telhado de uma casa. Pensando assim é possível ser criativo o tempo todo no sentido de que tudo o que vivemos nos inspira, nos condiciona e interfere na criação.


Você acha importante para uma mãe criar coisas perto dos filhos, incentivando-os ao consumo consciente e à reciclagem?

Super! Eu costumo dizer que crianças não precisam de brinquedos caros, somos nós, os adultos, que criamos e incentivamos estes desejos. Isadora sempre foi muito participativa em tudo o que fazemos. Está sempre criando seus próprios brinquedos, histórias e brincadeiras.
A criança é reflexo do mundo que vive e reproduz o que vivencia. Se você diz que é preciso economizar água, mas não fecha o chuveiro enquanto se ensaboa ela não vai “entender” o que você “ensinou”. Portanto, é com o ato de repetir a atitude dos pais que vai formando seu caráter, vai definindo suas preferências e escolhendo o repertório de sua vida.

Para finalizar, diga-nos o que significa para você “o fazer em casa/para a casa”.
O “fazer” para mim é mágico, seja para casa, seja para um amigo, seja para um cliente. É como disse: ver algo se transformar em outro com minhas mãos me fascina. Criar, produzir, transformar, pintar, colar, construir é a forma de mostrar minha visão de mundo. Cada coisa que produzo, seja para mim ou não, está permeada pelos meus pensamentos e sentimentos, carrega a minha energia. Agora, imagina toda esta carga “do meu eu” nas coisas da minha casa! Parece meio narcisista, e pode até ser, mas isso enche a minha casa com riquezas que não têm valor, cada peça tem uma história, cada coisa tem um porquê.

Entrevista publicada na edição nº 2 da revista Manual Flávia Ferrari.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Razão e sensibilidade


Uma cidade de apenas 85 mil habitantes, rodeada por montanhas cobertas de neve ao norte da Eslováquia, assim é Zilina. Entre as construções com arcadas burguesas dos séculos 16 e 17, no coração da pacata cidade um moderno e arrojado shopping center foi erigido, transformando definitivamente a paisagem com suas luzes, formas e cores.

Inaugurado em fevereiro de 2011, o Mirage Shopping Center pode ser descrito, de fato, como uma “miragem” na região central da terceira maior cidade da Eslováquia. São 22 mil m² para abrigar mais de 100 lojas. A proposta arrojada do projeto arquitetônico, assinado por Michal Divis, revela-se já na fachada, revestida por hexágonos em metal e vidro, que lembram uma grande colmeia. Ao cair da noite, uma surpresa: suaves luzes azuis iluminam o shopping e seu entorno, atraindo a população.


Esta atração mágica é resultado do lighting design da Zumtobel, que criou soluções luminotécnicas baseando-se em sistemas modernos e inteligentes em todas as áreas comuns do conjunto, composto por luminárias e controles de iluminância.


O Mirage é composto por um prédio circular com adjacências retangulares e uma torre redonda, inspirada no Castelo Budatin, situado ao norte da cidade. Uma grande claraboia, em forma de coroa, finaliza o conjunto.


Para este portentoso empreendimento comercial, o escritório Zumtobel desenvolveu um projeto luminotécnio considerando apenas duas únicas e modernas soluções: uma para a iluminação externa e fachada e outra para os ambientes internos de circulação comum. O projeto para as áreas exteriores é simples e funcional. A opção foi por uma luz mais suave para a fachada com produtos Bega, como luminárias de chão e de embutir no teto, e colocou-se uma faixa especial de LEDs em cada ângulo dos hexágonos que a recobrem, com variação no padrões de cores, desenvolvido pela empresa Copper Lighting. Esta solução incomum apenas se revela quando a noite cai: 2.000 spots de LEDs se acendem, e a partir de um controle DMX, cada spot pode ser controlado individualmente.


Nas áreas públicas, foram utilizadas linhas de slotlight e de LED, downlight FD 1000 e luminárias circulares de superfície Ondaria.


Para os interiores, as fontes de luz são de alta qualidade e eficiência e foram pensadas para dar a sensação de luz diurna o tempo todo. O lobby, em forma circular, durante o dia é iluminado por uma grande claraboia, que serve todo o ambiente com luz zenital. À noite, o sistema de controle de iluminação suave de 400 lux das luminárias de teto do sistema Cielo, desenvolvido pela própria Zumbotel, permite a sensação prazerosa e permanente da luz do dia. Os módulos quadrados de iluminação Cielo foram usados tanto nas grandes quanto nas pequenas áreas em dois tamanhos-padrão: em 600mm e 900mm, e com luz branca e coloridas.


Downlights fornecem uma iluminação uniforme no grande lobby, e também têm a função de direcionar os consumidores através dos intermináveis corredores de lojas, enquanto faixas de LED de diferentes cores criam uma atmosfera vívida e confortável nos pisos individuais, criando cenas dinâmicas a cada nova angulação do setor comercial.


Conjuntos de luminárias 2 x 2 foram colocados no teto intercalados por lâmpadas coloridas para oferecer um ambiente de bem-estar enquanto cada pessoa decide o que comprar entre tantas vitrines e serviços.

Na praça de alimentação, a iluminação foi pensada para ser ideal à pausa nas compras. Panos infinitos de downlights de LED e um sistema de spotlights compactos de LED com cones direcionáveis dão vivacidade ao local das refeições, sem contudo tirar o efeito de relaxamento.

As escadas da passagem adjacente que leva ao cinema também foram consideradas e são iluminadas uniformemente por discretas luminárias circulares suspensas.

Todo o shopping Mirage é controlado por um sistema inteligente de gerenciamento de luz, permitindo à administração flexibilizar o uso da energia, de maneira que o cliente participa ativamente do programa de redução de energia do projeto luminotécnico – tanto as luminárias individuais quanto as em grupo no sistema plug & play dimerizadas otimizam a qualidade da luz e o consumo energético, usando sistemas como o Luxmate Professional e o sistema de emergência de LEDs.

O trabalho do lighting design e da arquitetura do Mirage Shopping Center deram motivos suficientes para que ele fosse eleito o “novo coração de Zilina”, consequência, como destaca o arquiteto Michal Divis, “de um trabalho realizado diretamente com a Zumtobel em todas as fases do projeto de lighting design, para oferecer a melhor atmosfera ao shopping e também para obter as melhores soluções para os usuários e investidores. Encontramos na Zumtobel o melhor parceiro para desenvolver e colocar em prática nossas ideias para a iluminação do Mirage”. (Por Deborah Peleias, para a revista L+D, edição 34)




Mirage Shopping Center

Zilina, Eslováquia

Lighting Design: Zumtobel / consultores Marsy Banska Bystrica

Projeto Arquitetônico: Michal Divis

Fornecedor: Zumtobel (sistema modular Cielo, luminárias Ondaria, downlight de panos infinitos, luminária Perluce D Louvre, Resclite, Ecosign, Erogsign, luzes de emergência Comsign, luminárias de sinalização de fuga, Luxmate Professional, Luxmate Daylight), Bega (luminárias de chão e de embutir em parede)

Fotos: Zumtobel

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Linha 4 – Amarela – Metrô São Paulo. Aço inox para as modernas estações paulistanas

Rompendo com o visual monótono e cinza das antigas estações do Metrô de São Paulo, o aço inox inova nos quesitos estética e manutenção da Linha 4 – Amarela

Estação Butantã

Com extensão de 12,8 km e 11 estações, a Linha 4 - Amarela de São Paulo está sendo implantada em duas etapas. A primeira com a construção de seis estações (Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz) e a segunda com as estações intermediárias Fradique Coutinho, Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie, além das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia. Haverá, ainda, a integração com as Linhas 1 - Azul, 2 - Verde e 3 - Vermelha nas Estações Luz, Paulista e República, respectivamente.
Em maio de 2010, duas estações da Linha 4 entraram em funcionamento, a Paulista e Faria Lima, e até o final de 2010 outras duas serão inauguradas, Butantã e Pinheiros. Dentre as novidades arquitetônicas destas paradas, o que mais impressiona é o arrojo da fachada da Estação Butantã: em aço inox, ela inova e se destaca entre as construções vizinhas na região Oeste de São Paulo.
“Para os acabamentos das estações, o Departamento de Arquitetura do Metrô de São Paulo elaborou diretrizes que prevêem o uso de cores e materiais modernos e resistentes para que as estações se tornem marcos urbanos e não desapareçam no tecido da cidade, como aconteceu com as linhas mais antigas”, informam os arquitetos Marc Duwe, Arno Hadlich e Eduardo Velo, da Tetra Projetos, responsáveis pelo projeto das estações Butantã e Faria Lima.
Assim, nas fachadas destas estações foram utilizados o aço inox, o vidro laminado e pastilhas cerâmicas coloridas. Segundo os arquitetos, a opção por estes materiais levou em conta a resistência a ações de vandalismo e custo competitivo. O aço e, principalmente, o aço inox foi extensivamente utilizado nas estruturas da cobertura, revestimentos de fachada, revestimentos internos, guarda-corpos, suportes para comunicação visual e mapas, no mobiliário, como bancos e lixeiras, e acabamentos de elevadores.
Em especial, para a fachada da Estação Butantã, foram estudadas diversas alternativas de materiais e optou-se pelo aço inox por sua durabilidade, resistência a riscos e intempéries e facilidade de manutenção. “Para tanto, foi desenvolvido um sistema de fixação que aproveitasse ao máximo as chapas de aço e evitasse a ondulação da superfície. Este sistema foi testado em laboratório, com pressões e ventos superiores à realidade. Além disso, o aço inox é um material reciclável, resistente, não muda de cor e, principalmente, atendendo as diretrizes da Linha 4 – Amarela criou uma fachada que é um marco na paisagem.”
Por fim, “a arquitetura das estações da Linha 4- Amarela também valoriza a iluminação natural a partir de grandes clarabóias, e o uso de cores visa o bem-estar dos usuários, ao mesmo tempo em que os materiais resistentes e de fácil manutenção têm como objetivo facilitar a operação da estação”, concluem os arquitetos.

Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
Foto: Marcelo Scandaroli

Estação General Osório. Enfim, Ipanema

A população do Rio de Janeiro recebe uma nova e moderna estação de parada, tranformando a região e integrando-a à Comunidade do Cantagalo


Dois dias depois da comemoração do tricampeonato conquistado pela seleção brasileira de futebol, em junho de 1970, foram iniciadas as obras do metrô carioca. Sua linha prioritária deveria ligar a Barra da Tijuca a Ipanema. Em 2009, os trens do metrô finalmente chegaram a Ipanema com a inauguração, em dezembro, da Estação General Osório.
Terceira maior estação do metrô carioca, atrás apenas das paradas Carioca e Estácio, custou cerca de R$ 420 milhões e tem 12 elevadores, 17 escadas rolantes e seis esteiras rolantes. A Concessionária Metrô Rio estima que somente esta estação deverá ter um movimento de cerca de 20 mil passageiros/dia.
De acordo com o arquiteto Heitor Lopes de Sousa, da Rio Trilhos, a concepção da estação teve como ponto de partida as características de uma estação terminal que necessita de três plataformas como forma de otimizar o fluxo de usuários do sistema metroviário. O acesso às plataformas se dá por um extenso mezanino que, por meio de diversas aberturas no piso contribuem para melhorar a ventilação, direciona os fluxos para as escadas de acesso aos trens.
Na superfície, destaca-se a estrutura em tubos de aço que cobre a entrada da Estação General Osório. A ideia, segundo Heitor, era criar um marco na praça, reforçando a chegada do Metrô ao bairro, e foi inspirada, numa referência à proximidade da estação com o mar, na forma dos crustáceos, como lagostas e camarões que possuem em seus exoesqueletos camadas superpostas independentes, que propiciam sua curvatura.
“A estrutura da cobertura foi concebida em quatro seções superpostas e de tamanhos diferentes, com a parte superior na forma de arcos abatidos. Considerou-se a estrutura tubular em arco como a mais adequada. Desta forma, cada módulo é interligado por tubos com seção menor e revestidos, na sua parte superior, com policarbonato alveolar. Nas partes plana e vertical adotou-se o vidro duplo. Para maior estabilidade dos módulos, o contraventamento utiliza tirantes cruzados na parte vertical do arco. E, por fim, a cor branca para os tubos foi adotada para transmitir maior leveza e transparência ao conjunto”, ressalta o arquiteto.
Tanto na estação como em seus acessos, o aço foi empregado como elemento complementar em corrimãos e guarda-corpos, painéis de revestimento, postes de iluminação e comunicação visual, armários técnicos e dutos de insuflação.
Apesar de ter sido executada no método construtivo para túneis em rocha, a arquitetura da estação, em seu corpo principal – áreas de embarque e desembarque de passageiros -, não transmite a sensação de confinamento, pois seu projeto, segundo Heitor, gerou a maior seção de túnel em rocha em meio urbano até hoje no Brasil. Além disso, o mezanino “recortado” propicia uma volumetria diferenciada, oferecendo mais conforto aos usuários.
A acessibilidade e a sustentabilidade também são características da Estação General Osório: nos acessos com maior extensão foram instaladas esteiras e escadas rolantes, e o planejamento da obra teve como foco interferir o mínimo possível no cotidiano de seu entorno. Mais um ponto para a tecnologia dos modernos sistemas construtivos.

Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
Foto cedida pela Ascom da Rio Trilhos

Metrô Cidade Nova, Rio. Maior vão ferroviário brasileiro

Passarela com estrutura de aço liga a Estação Cidade Nova, do Metrô do Rio de Janeiro, a Prefeitura da cidade e se destaca na paisagem pelos grandes vãos em arco

Devido a localização na Avenida Presidente Vargas, centro do Rio de Janeiro, e em frente à Prefeitura, havia uma grande preocupação com o impacto que a construção da Estação Cidade Nova do Metrô Rio de Janeiro teria na paisagem.
As diretrizes estabelecidas pela Concessão Metroviária do Rio de Janeiro S.A. - Metrô Rio levou o projeto arquitetônico da estação a vencer desafios: a primeira, sua localização junto ao pátio de manutenção do metrô, e a segunda, a necessidade de ligar os dois lados da avenida que, além da largura e do tráfego intenso, é passagem obrigatória de ônibus e carros que se dirigem e saem do centro da cidade, assim como passagem dos carros alegóricos em direção ao Sambódromo.
Com estas condicionantes em mãos, o escritório de arquitetura JBMC buscou soluções que, com o menor impacto no dia a dia da cidade, conseguissem vencer os grandes vãos impostos pela largura da avenida e pelo pátio de trens.
“A melhor alternativa para contornar estes obstáculos foi fazer a transposição da avenida através de uma passarela suspensa por grandes arcos metálicos - dois com vãos de 90 m cada e um terceiro, com 43 m sobre o pátio ferroviário”, afirma o arquiteto João Batista Martinez Corrêa.
O aço foi o material escolhido para atender os desafios da execução do projeto, conforme destaca o arquiteto da JBMC: “a utilização do aço foi a mais adequada por reduzir o impacto de construção no congestionado local de intervenção. Como a estrutura em aço é executada em fábrica, sob rígido controle de qualidade, sua montagem é rápida e limpa e requer apenas que as fundações sejam feitas no local, causando alguns distúrbios apenas na fase inicial das obras”.
Inaugurada em 1° de novembro de 2010, a estação se destaca sobre a Avenida Presidente Vargas, pelos grandes arcos pintados com tons metálicos, atraindo os olhares e despertando a admiração de quem passa pelo local.
O projeto arquitetônico da estação, que ocupa uma área 2.500 m², engloba o viaduto com o maior vão ferroviário urbano do país - com 110 m de extensão - e conecta a Linha 1 à Linha 2 do metrô carioca.
As características arrojadas do projeto exigiram um planejamento de execução e montagem muito apurado. Outro desafio foram as restrições de espaço impostas durante a obra, no período de junho e julho de 2010. O içamento das peças estruturais, por meio de guindastes, ocorreu durante a madrugada de forma a não interromper o trânsito nas Avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho.
A preocupação com a utilização de recursos naturais também está presente nas novas estações do Rio de Janeiro. A estação Cidade Nova é dotada de aberturas que proporcionam ventilação natural e de brises que controlam a incidência de luz nos ambientes.
As telhas isotérmicas de aço, do tipo sanduíche, reduzem a transmissão do calor e colaboram para evitar o ruído sobre a cobertura em dias de chuva.
Os caixilhos de vidro da passarela são do tipo basculante e podem permanecer abertos na maior parte do tempo, ou fechados em dias de chuva com vento, evitando danos nos equipamentos internos. As escadas rolantes de acesso à passarela têm fechamento em vidro e são dotados de ventiladores movidos a energia solar. Nos vestiários a água quente é proveniente de um aquecedor solar e as águas da chuva são coletadas e armazenadas para a irrigação dos jardins.
“O resultado final, o conjunto da obra e sua inserção no meio urbano garantiram a conexão de dois lados da avenida que anteriormente não se conversavam. A passarela foi projetada de maneira a garantir transparência e permeabilidade ao conjunto, se inserindo de maneira respeitosa à cidade. O nosso desafio foi trabalhar a grande estrutura, tirando benefícios estéticos e gerando transparência e beleza”, finaliza o arquiteto.

Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
Imagem: render fornecido pelo escritório JBMC

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Revista Feijoada VIP Refúgio

Capa da revista Feijoada VIP Refúgio, um dos trabalhos mais legais que assinei em 2010, produzido pela Du.Scatolin com muita competência e bom gosto.

“As indústrias do aço precisam ter interesse no mercado da habitação popular”




Ocupando a cadeira de Diretor Técnico da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo desde janeiro de 2007, João Abukater Neto tem reforçado a adoção de práticas modernas para oferecer habitação de qualidade às famílias de baixa renda.
Dentre as ações de modernização dos processos habitacionais estão o Qualihab, programa de qualidade da CDHU que tem materiais e sistemas construtivos industrializados aprovados a partir do cumprimento de exigências técnicas e de ensaios em laboratórios acreditados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), e que serviu de referência para o PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat).
Para o Diretor Técnico, o sistema construtivo do aço é um caminho para atender à demanda por novas moradias e suprir o grande déficit habitacional brasileiro. A CDHU já possui várias unidades construídas com estrutura em aço e apostou no steel framing para construir o primeiro Vila Dignidade, condomínio para idosos de Avaré, no interior de São Paulo, modelo que servirá para os outros dez projetos, com 24 unidades cada, três já contratados e sete em licitação.
A política habitacional que a CDHU tem colocado em prática prevê dobrar o número de unidades construídas, e sua diretoria espera que a indústria do aço participe com sua tecnologia e matéria-prima, já que, como diz Abukater Neto, o Brasil é rico na produção de aço.



AA. Quais experiências a CDHU já teve com projetos construídos com estruturas em aço?
JAN. A CDHU talvez seja a única empresa de construção do país que tem escala de empreendimentos feitos em estrutura metálica. São milhares de unidades construídas neste sistema.


AA. A performance dos projetos realizados em aço atendeu às expectativas da CDHU?
JAN. As unidades construídas estão em pleno uso e as estruturas estão funcionando bem, cumprindo seu papel. Tivemos alguns recalls, que foram fruto da própria falta de experiência dos construtores, que não estavam acostumados com este sistema construtivo. Em resumo, a CDHU está preparada e aberta para as construções que utilizem a estrutura em aço.


AA. Os editais recentes da CDHU permitem que as empresas licitadas optem pelos sistemas construtivos industrializados. Neste caso, quais as principais características e diferenciais da construção em aço em relação aos demais sistemas? Quais benefícios o senhor pode destacar com a experiência da CDHU?
JAN. Historicamente e enquanto Estado, a CDHU sempre procurou a vanguarda de políticas públicas que tratem tanto das questões sociais do setor, quanto dos sistemas construtivos. Um exemplo é o PBQP-H, que nasceu depois do Qualihab e foi criado com a experiência de São Paulo. Os editais permitem que os sistemas construtivos concorram entre si, desde que sejam sistemas aprovados pela QualiHab, isto é, sejam certificados. O que temos percebido é que as empresas que concorrem às licitações estão pensando em construir, hoje, com sistemas industrializados.
No caso das estruturas em aço, elas têm como diferenciais a velocidade na construção e a consequente diminuição dos custos indiretos, proporcionando retorno financeiro.
Temos, atualmente, escassez de mão-de-obra qualificada na construção civil - e não conseguiremos suprir nem a demanda atual, nem a demanda futura – e isso não pode impactar no aumento do custo dos projetos.
No processo industrializado isso não acontece, pois sua mão-de-obra é qualificada.


AA. Pensando no custo total do empreendimento, como se comporta um projeto construído em aço, comparativamente aos sistemas convencionais?
JAN. Qualquer sistema industrializado de construção só é competitivo se tiver condições de ser produzido em escala. Nos programas habitacionais, a garantia são as escalas, uma vez que o déficit habitacional é muito grande.
O custo do sistema em aço, como já disse, é competitivo nas questões prazo da construção, uso e manutenção, porque, às vezes, uma obra sai mais cara para manter do que para ser construída.


AA. Em sua opinião, a indústria da construção em aço está preparada para atender adequadamente à demanda dos programas de moradia popular, considerando os aspectos de projeto, execução e manutenção durante a vida útil do empreendimento?
JAN. Isso quem sabe são as próprias empresas, mas espero que sim. E afirmo que as indústrias do setor precisam ter interesse no mercado da habitação popular. Se não houver interesse por parte das indústrias em absorver a nossa demanda, eu diria que este é um erro estratégico. Afinal, a construção civil é o motor de crescimento de qualquer país, que só conseguirá crescer se tiver um setor de construção civil em crescimento acelerado.
Sinceramente, espero que a indústria do aço dê atenção às nossas necessidades, e não apenas ao fornecimento de vergalhões, mas também em estruturas, laminados e perfis, para contribuir com o crescimento da construção civil, tanto em sistemas abertos, fechados e mistos. Lembrando que o Brasil é rico na matéria-prima do aço, não podemos deixar de usar essa riqueza.
E se houve uma ausência da indústria do aço no passado nos programas do setor não foi por vontade nossa. Por isso, espero que o investimento das empresas do aço nos programas habitacionais se torne uma política permanente.


AA. E, por fim, qual a perspectiva do uso das estruturas metálicas nos projetos habitacionais de interesse social para os próximos anos?
JAN. O mercado é muito grande e, com certeza, tem espaço para todos!
Entrevista publicada na revista Arquitetura&Aço, edição n° 23, 2010 - Foto: divulgação

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Explicando o inexplicável


A Santo Amaro a Galope foi até Capivari, a cerca de 100 km de São Paulo, para conhecer os fundamentos da educação equestre. Dentre as lições que aprendemos com o horseman José Eduardo Borba está que o instinto de preservação do cavalo é que comanda suas ações; mas sobre as técnicas de seu trabalho, tentaremos explicar o inexplicável, porque o segredo para ser um “encantador de cavalos” – termo que Borba não gosta - continua uma incógnita!
“Cavalos,
Abençoados sejam todos eles.
Me mantiveram buscando riscos e desafios,
Muitas vezes me frustraram,
Mas sempre me provocaram muito respeito
E, conseguiram me manter completamente apaixonado.”
Jay Dusard


“Algumas pessoas optam por acreditar que o cavalo sempre quer brigar conosco e que precisamos mostrar quem manda por meio da imposição, coerção ou intimidação, como preconiza a equitação convencional. Existem pessoas que promovem a consciência de que o cavalo é um ser vivo que sente, pensa, decide e tem uma capacidade enorme de aprender quando nos dispomos a ensiná-lo a partir de uma relação de respeito mútuo, de parceria e de confiança.”
Esta frase de José Eduardo Borba resume o que hoje se chama educação equestre. Borba também gosta de salientar que acredita que “dentre os animais de nosso convívio, o cavalo talvez seja um dos que mais têm nobreza. Aprender a conviver procurando uma integração de verdadeira parceria, só pode nos melhorar como pessoas”.
Mas o que isso tem a ver com o hipismo? Tudo, porque, como diz Borba, de 64 anos e titular do Projeto Doma há 38, ao repensarmos o conceito de autoridade e entendendo que para os cavalos não é importante saber quem manda, mas o valor da dúvida, obtém-se respostas mais rápidas e consistentes para o objetivo do cavaleiro.
E qual a diferença entre a educação equestre ensinada pelo Projeto Doma e a educação equestre convencional? Mais uma vez a resposta é “tudo”. Os ensinamentos do Projeto Doma, sediado em Capivari, têm por objetivo inspirar as pessoas a se comportarem como verdadeiros horsemen e a melhorarem enquanto seres humanos, acreditando que a relação homem-cavalo “é uma metáfora perfeita para os desafios da vida. Na educação das crianças, na maneira de tocar empresas ou mesmo quando encontramos um parceiro para dançar, onde dois parecem um”, diz Borba, que define seu trabalho como “artístico e filosófico e, para tanto, tem como ponto de partida um pensamento de Jung: ‘Uma das funções da arte é levar as pessoas o mais próximo possível da percepção’”.
Nos cursos ministrados por José Eduardo Borba existe um fim, mas não existe um método específico para se chegar a este fim, porque o que pode servir para um animal às vezes não serve para outro. Partindo deste princípio, o que o horseman ensina aos alunos “é paciência, amor, carinho e energia, porque os animais conhecem e respeitam o homem que deles cuida. Eles sentem vibrações de simpatia e dedicação e retribuem à sua maneira a esta dedicação. É preciso ter consciência e saber separar o que é lazer e o que é trabalho e nunca confundir energia com judiação, carinho com paparicação, ou desobediência com ignorância".
Estas lições de sinergia entre homem e cavalo Borba aprendeu, primeiro, quando morou no Texas, em 1975, e ficou horrorizado com a forma com que os cowboys tratavam os cavalos, e depois quando Pulle (que trabalhava os cavalos de Doda no CHSA), lhe indicou três livros que mudaram sua vida: Os Princípios Fundamentais do Cavalo e do Cavaleiro e My horses, my teachers, ambos de Alois Podhajsky (diretor da Escola de Viena por 30 anos), e Western horsemanship and equitation, de Dwight Stewart. E foi na Califórnia, em 1978, que o horseman brasileiro teve o contato com a equitação da península ibérica, ”de tradição militar, com freios especiais, na qual o cavalo trabalha todo flexionado, muito diferente dos cavalos do Texas”, afirma.
Se a forma de enxergar o cavalo já havia mudado 180° na vida de Borba, depois que ele conheceu os ícones do horsemenship Tom Dorrance, Ray Hunt e Martin Black, o panorama mudou mais ainda. “Esses três diziam que o cavalo tem necessidades internas que vêm de seu instinto de preservação. E não está escrito em nenhum ‘manual de equitação’ que, para o cavalo, em primeiro lugar está a comida, e que ele é um animal de fuga”, diz Borba, “e não tem absolutamente nada para se proteger que não sejam suas patas para fugir. O significado e a importância do instinto de preservação no cavalo são coisas que as pessoas que mexem com o animal precisam ter na cabeça.”
Ou seja, se o cavalo está ansioso, angustiado, inseguro, desconfiado, é o instinto de preservação que vem em primeiro lugar, e nesse momento, como diz Borba, “ele não entende nada, porque sua preservação está em sua frente. O ser humano precisa entender o cavalo para dar-lhe uma vida melhor; fazendo isso, consegue-se qualquer coisa”.
Outro ponto fundamental que quem trata com cavalo precisa saber, segundo Borba, é que o cavalo é um animal de manada, e consequentemente, precisa ter vida social. “Se um cavalo fica isolado dos outros cavalos, ele começa a ficar angustiado, frustrado. Um exemplo é um cavalo que domei para um haras: ele veio na barriga da égua, nasceu fora de estação e foi criado sozinho com a mãe no piquete. Desmamou, recriou e nunca teve contato com outro cavalo. A tarefa mais enlouquecedora da minha vida foi mexer com este cavalo, porque ele não tinha limites, era um maluco, um mimado!”
No Projeto Doma, Borba ensina que tudo em cavalo é o equilíbrio do alívio e da pressão. “É preciso entender o universo do cavalo, e 99% das pessoas se comportam como se o universo do cavalo não existisse, só o do ser humano. Por exemplo, todo mundo diz que cavalo aprende na pressão, mas na verdade, aprende no alívio, a pressão o motiva. Qualquer animal predado gosta de conforto físico, mental e emocional. É a única coisa que interessa para ele. Com o cavalo é a mesma coisa: ele vive o aqui e agora, cada passo dele é uma vida. Um cavalo na natureza anda de 30 a 40 km por dia procurando comida e água, porque, ao contrário de outros animais, não guarda comida para o futuro. Por isso, o cavalo tem uma psicologia muito diferente da grande maioria dos animais. E ele consegue exercer um fascínio enorme nas pessoas. E quem não tem este fascínio não monta a cavalo.”
A grande dificuldade do trabalho realizado por Borba é que não existe uma técnica porque no trato com o cavalo, 100% da técnica são “como” e não “porque”. Ou seja, com o cavalo, tudo o que uma pessoa fizer que faça sentido, ele aprenderá. “É como dançar”, afirma. “O homem não vai conduzir uma mulher por dor ou por intimidação. A mulher o segue por outra razão. Quando há a sintonia, o conjunto cavaleiro-cavalo se sai bem nas provas, dá tudo certo. Mas, normalmente, o cavaleiro imprime um grau de dificuldade em que um dos dois (homem ou cavalo) não está preparado. Por isso, meus cursos focam mais a atenção sobre si do que os de educação de equitação.”
Vale destacar um dos três principais fundamentos que Borba trouxe da Califórnia para o Brasil: nunca se perca emocionalmente com um cavalo. “Essa foi a lição inesquecível que aprendi: sempre digo que o único lugar em que se as pessoas se perdem emocionalmente sem ter de enfrentar as consequências é no curral, porque se você se perde emocionalmente no trabalho, no escritório, na empresa, com um filho, as pessoas chamam a polícia; no curral ninguém pode falar nada e se defender.”
E ensinando as pessoas a desenvolverem a sensibilidade, o timing e o discernimento no universo do cavalo, Borba tem certeza de que as está ajudando a melhorarem a comunicação com os cavalos e a cada uma a libertar o seu espírito.


Texto para a edição n° 6 da revista Santo Amaro a Galope, julho de 2010 - Fotos: Anna Paula Carvalho, para o Clube Hípico de Santo Amaro

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Design e funcionalidade na cozinha

Parte imprescindível de uma refeição, os utensílios tornam mais nobres os momentos especiais em família ou entre amigos. Com design único, são capazes de compor ambientes e momentos com estilo, personalidade e elegância. Confira algumas peças que vão do clássico ao moderno, mas que têm em comum referências em beleza e sofisticação.

Fruteira assimétrica
Formada por uma base de poliéster e por hastes suspensas de alumínio maciço, a fruteira Flux, da Bade, é uma peça totalmente diferente das tradicionais circulares. De forma assimétrica, a leveza da peça se baseia na distribuição do peso para formar um conjunto harmônico e charmoso. A fruteira tem pintura eletroestástica na cor inox e está disponível na loja online da bade – http://loja.bade.com.br/.

Café expresso
Com design exclusivo de Andreas Seegatz, a cafeteira Diva tem o corpo feito em um único bloco de liga especial de alumínio e reúne várias funções: controle manual de água, filtro especial que permite café de alta pureza e vapor para produzir espuma de leite, cappuccino e macchiato. Sua base aquecida mantém as xícaras na temperatura ideal. Pode ser adquirida na ObraVip Online,
www.obravip.com.

Batedeira do MoMa
A icônica batedeira Stand Mixer, da KitchenAid, faz parte do acervo do MoMa, de Nova York e foi lançada no Brasil em edição limitada, comemorativa aos 90 anos da marca. Na cor cereja perolada e com tigela de vidro, são comercializadas em lotes na loja da marca, localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, n° 1.241 (telefone 3081-6105), e nas lojas do Grupo Santa Helena (Suxxar, Cleusa Presentes, Espaço Santa Helena) e no Submarino (
www.submarino.com.br).


Design Collection
Zon Design, Mário Bianchi, Elisa Milan Tramontina e Irmãos Ciani são alguns nomes do design contemporâneo que assinam as peças da linha Tramontina Design Collection, a qual, segundo a empresa, é uma coleção de peças com o design pensado, elaborado, esculpido em cada detalhe. E este conceito se estende para a área de lazer, como o faqueiro para churrasco da linha Originale. A variedade de produtos dessa coleção é grande e vale a pena conferir,
www.tramontinadesigncollection.com/produto/tipo/churrasco.





Texto publicado na revista Santo Amaro a Galope, edição n° 4 - março de 2010
Fotos: divulgação