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| Estação Butantã |
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Linha 4 – Amarela – Metrô São Paulo. Aço inox para as modernas estações paulistanas
Estação General Osório. Enfim, Ipanema
Dois dias depois da comemoração do tricampeonato conquistado pela seleção brasileira de futebol, em junho de 1970, foram iniciadas as obras do metrô carioca. Sua linha prioritária deveria ligar a Barra da Tijuca a Ipanema. Em 2009, os trens do metrô finalmente chegaram a Ipanema com a inauguração, em dezembro, da Estação General Osório.
Terceira maior estação do metrô carioca, atrás apenas das paradas Carioca e Estácio, custou cerca de R$ 420 milhões e tem 12 elevadores, 17 escadas rolantes e seis esteiras rolantes. A Concessionária Metrô Rio estima que somente esta estação deverá ter um movimento de cerca de 20 mil passageiros/dia.
De acordo com o arquiteto Heitor Lopes de Sousa, da Rio Trilhos, a concepção da estação teve como ponto de partida as características de uma estação terminal que necessita de três plataformas como forma de otimizar o fluxo de usuários do sistema metroviário. O acesso às plataformas se dá por um extenso mezanino que, por meio de diversas aberturas no piso contribuem para melhorar a ventilação, direciona os fluxos para as escadas de acesso aos trens.
Na superfície, destaca-se a estrutura em tubos de aço que cobre a entrada da Estação General Osório. A ideia, segundo Heitor, era criar um marco na praça, reforçando a chegada do Metrô ao bairro, e foi inspirada, numa referência à proximidade da estação com o mar, na forma dos crustáceos, como lagostas e camarões que possuem em seus exoesqueletos camadas superpostas independentes, que propiciam sua curvatura.
Metrô Cidade Nova, Rio. Maior vão ferroviário brasileiro
Passarela com estrutura de aço liga a Estação Cidade Nova, do Metrô do Rio de Janeiro, a Prefeitura da cidade e se destaca na paisagem pelos grandes vãos em arco Com estas condicionantes em mãos, o escritório de arquitetura JBMC buscou soluções que, com o menor impacto no dia a dia da cidade, conseguissem vencer os grandes vãos impostos pela largura da avenida e pelo pátio de trens.
“A melhor alternativa para contornar estes obstáculos foi fazer a transposição da avenida através de uma passarela suspensa por grandes arcos metálicos - dois com vãos de 90 m cada e um terceiro, com 43 m sobre o pátio ferroviário”, afirma o arquiteto João Batista Martinez Corrêa.
O aço foi o material escolhido para atender os desafios da execução do projeto, conforme destaca o arquiteto da JBMC: “a utilização do aço foi a mais adequada por reduzir o impacto de construção no congestionado local de intervenção. Como a estrutura em aço é executada em fábrica, sob rígido controle de qualidade, sua montagem é rápida e limpa e requer apenas que as fundações sejam feitas no local, causando alguns distúrbios apenas na fase inicial das obras”.
Inaugurada em 1° de novembro de 2010, a estação se destaca sobre a Avenida Presidente Vargas, pelos grandes arcos pintados com tons metálicos, atraindo os olhares e despertando a admiração de quem passa pelo local.
O projeto arquitetônico da estação, que ocupa uma área 2.500 m², engloba o viaduto com o maior vão ferroviário urbano do país - com 110 m de extensão - e conecta a Linha 1 à Linha 2 do metrô carioca.
As características arrojadas do projeto exigiram um planejamento de execução e montagem muito apurado. Outro desafio foram as restrições de espaço impostas durante a obra, no período de junho e julho de 2010. O içamento das peças estruturais, por meio de guindastes, ocorreu durante a madrugada de forma a não interromper o trânsito nas Avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho.
A preocupação com a utilização de recursos naturais também está presente nas novas estações do Rio de Janeiro. A estação Cidade Nova é dotada de aberturas que proporcionam ventilação natural e de brises que controlam a incidência de luz nos ambientes.
Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Design e funcionalidade na cozinha
Fruteira assimétrica
Formada por uma base de poliéster e por hastes suspensas de alumínio maciço, a fruteira Flux, da Bade, é uma peça totalmente diferente das tradicionais circulares. De forma assimétrica, a leveza da peça se baseia na distribuição do peso para formar um conjunto harmônico e charmoso. A fruteira tem pintura eletroestástica na cor inox e está disponível na loja online da bade – http://loja.bade.com.br/.
Café expresso 
Com design exclusivo de Andreas Seegatz, a cafeteira Diva tem o corpo feito em um único bloco de liga especial de alumínio e reúne várias funções: controle manual de água, filtro especial que permite café de alta pureza e vapor para produzir espuma de leite, cappuccino e macchiato. Sua base aquecida mantém as xícaras na temperatura ideal. Pode ser adquirida na ObraVip Online, www.obravip.com.
Batedeira do MoMa
A icônica batedeira Stand Mixer, da KitchenAid, faz parte do acervo do MoMa, de Nova York e foi
lançada no Brasil em edição limitada, comemorativa aos 90 anos da marca. Na cor cereja perolada e com tigela de vidro, são comercializadas em lotes na loja da marca, localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, n° 1.241 (telefone 3081-6105), e nas lojas do Grupo Santa Helena (Suxxar, Cleusa Presentes, Espaço Santa Helena) e no Submarino (www.submarino.com.br).
Design Collection
Zon Design, Mário Bianchi, Elisa Milan Tramontina e Irmãos Ciani são alguns nomes do design contemporâneo que assinam as peças da linha Tramontina Design Collection, a qual, segundo a empresa, é uma coleção de peças com o design pensado, elaborado, esculpido em cada detalhe. E este conceito se estende para a área de lazer, como o faqueiro para churrasco da linha Originale. A variedade de produtos dessa coleção é grande e vale a pena conferir, www.tramontinadesigncollection.com/produto/tipo/churrasco.
Texto publicado na revista Santo Amaro a Galope, edição n° 4 - março de 2010
Fotos: divulgação
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A casa de vidro
Suspensa por estrutura em aço, Casa Varanda, no Rio de Janeiro, tem paredes transparentes que permitem desfrutar a beleza da floresta da ItanhangáProjetada pela arquiteta Carla Juaçaba, a Casa Varanda é uma verdadeira “caixa de vidro” encravada na floresta de Itanhangá, no Rio de Janeiro (RJ), com paredes paralelas de vidro que permitem admirar a natureza exuberante do local. Declaradamente inspirada em um ícone da arquitetura moderna, a Casa Farnsworth, do arquiteto alemão Mies van der Rohe, a Casa Varanda prima pela simplicidade e tem como elementos principais a estrutura em aço e o vidro.
De acordo com o engenheiro Pirajá dos Anjos, responsável pelo projeto estrutural, a estrutura da casa é mista: no primeiro pavimento, as vigas principais são em perfis CE 300 x 76 e pilares em perfis CE 200 x 34, ambos em aço Coscor 300, que recebem pré-lajes em concreto armado; a cobertura, por sua vez, tem estrutura composta de perfis VEE 200 x 26 com vigas principais e terças em perfis (320 x 50 # 1/8”) em aço, ambas também Coscor 300, que recebem telhas termoacústicas em aço galvalume. Uma sequência de vigas pré-moldadas de concreto (com 6 m de comprimento), encaixadas em ligas metálicas, configura a laje revestida com um piso cimentado claro. Ficha técnica
Projeto arquitetônico: Carla Juaçaba
Colaboradores: Joana Ramalhete (estagiária UAL-Lisboa) e Nina Lucena (estagiária PUC-RJ)
Área construída: 140,4 m²
Aço empregado: Coscor 300
Projeto estrutural: Pirajá Afonso Suppo dos Anjos
Fornecimento e montagem da estrutura em aço: D´Angeli Serviços de Engenharia Ltda.
Telhas: Tuper
Local: Itanhangá, RJ
Data do projeto: 2005
Conclusão da obra: 2007
Inspiração que vem do Xingu

Residência de veraneio em Barra do Una, litoral de São Paulo, alia as concepções habitacionais dos índios Yawalapíti com as tecnologias construtivas metálicas
Unir tecnologias construtivas modernas aos modelos de edificações indígenas, mais especificamente às da cultura yawalapiti, sem impactar no meio ambiente. Com este objetivo, os arquitetos Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma, do escritório Gesto Arquitetura, conceberam a tipologia arquitetônica da Casa Pouso Alto, localizada em uma área de transição entre o Parque Estadual da Serra do Mar e a área mais antrópica do litoral norte paulista em São Sebastião, uma das regiões onde a Mata Atlântica ainda está preservada no Estado de São Paulo.
Oriundos da parte sul do Parque Indígena do Xingu, conhecida como Alto Xingu, os índios Yawalapiti constroem suas casas relacionando-as com as partes do corpo: a parte da frente, por exemplo, corresponde ao peito, os fundos são as costas, a porta é a boca e os pilares são as pernas. O espaço interno normalmente é organizado com área para a cozinha, ao centro fica o depósito de alimentos e em frente à porta de entrada fica o local para receber os visitantes e também para as danças.
Para o projeto da Casa Pouso Alto, os arquitetos se inspiraram nesta distribuição. “Sua envoltória tem uma geometrização obtida por meio da referência da casa dos Yawalapiti e seu ‘miolo’ procura corresponder às necessidades do programa de uma residência de veraneio, utilizando-se técnicas atuais para se criar um espaço contemporâneo.”
Por estar encravada em um local de preservação ambiental, as soluções construtivas precisavam minimizar os impactos à paisagem e, portanto, optou-se por mesclar na estrutura da construção o aço, a madeira e o concreto, em uma edificação suspensa do solo. “Procuramos manter a configuração geomorfológica do terreno existente e, por isso, suspendemos a edificação em relação ao solo e a apoiamos com o menor número de pilares, de modo a garantir a conectividade da fauna e da flora no extrato inferior da mata”, detalham Newton e Tânia Regina. Além de elevarem a casa, os arquitetos a revestiram de vidro, permitindo aos moradores observarem a natureza exuberante da Mata Atlântica. A transparência também está presente no teto e no piso de circulação.
Nessa configuração inspirada na cultura Yawalapiti, o aço entra como solução construtiva por méritos como propriedades estruturais, facilidade de pré-fabricação, transporte e montagem e, por fim, por ser um material reciclável, uma vez que possibilita a reutilização a partir da desmontagem dos elementos. Em aço, a estrutura da casa está apoiada em pilares centrais (oito unidades iguais de altura variável, com dimensões de 600 mm e 200 mm), com balanços atirantados. Trata-se de uma solução coerente com o material empregado, pois permite ter seções adequadas ao comportamento estrutural e ligações facilitadas pelo uso de soldas, parafusos e pinos metálicos.“Usamos materiais que contemplem um futuro sustentável na cadeia produtiva e nas fontes de matéria-prima, tentando atingir os melhores níveis de sustentabilidade possíveis para as edificações”, afirmam os autores do projeto.
Além da estrutura principal, o aço também foi utilizado nas estruturas secundárias de apoio aos pisos, na cobertura de vidro e nas conexões da estrutura de madeira da passarela, que interliga a área social à de lazer, nos chamados inserts. A estrutura de sustentação do piso e da cobertura de vidro é formada por uma grelha de tubos metálicos (mescla de tubos de 100 x 100 x 2,28 mm e 100 x 100 x 2,0 mm) com “vagonamento” em cabo de aço. “Esta solução, facilitada pela possibilidade de enrijecimento das conexões que formam a grelha, resulta numa estrutura leve e que viabiliza os vãos necessários. Já na estrutura de apoio da passarela em madeira, em forma de uma árvore, foram empregadas conexões metálicas muito competentes estruturalmente, o que só foi possível de ser executado graças às características do aço.”
O aço, aliás, convive harmoniosamente com os outros elementos – vidro, alvenaria e concreto – e é aparente nos ambientes internos. “Temos, por exemplo, o posicionamento dos vidros de todo o perímetro de fechamento externo junto à estrutura de aço, com a utilização da madeira como elemento de transição entre um material e outro, uma vez que a madeira, neste caso, possibilitou os ajustes e adequações necessários por ser mais maleável.” As vedações internas foram feitas em blocos de concreto celular, formando paredes autoportantes que não tocam a estrutura em grelha de aço da cobertura.
Devido à proximidade com o mar (cerca de 3 km), o aço escolhido para a estrutura foi o SAC 41, que também recebeu uma proteção adicional em pintura epóxi, especificada para prevenir contra a maresia. No total, foram usadas, aproximadamente, 30 toneladas de aço. Assim como nas casas dos Yawalapiti, cuja temperatura interior é agradável devido aos materiais utilizados, a Casa Pouso Alto foi projetada com elementos espaciais e construtivos que favorecem a ventilação e a iluminação naturais, oferecendo o máximo conforto térmico aos moradores, sem a necessidade de condicionadores de ar durante o verão. A cobertura é em piaçava curva (com sustentação de arcos de 300 X 150 x 4,76 mm, a cada 4,80 m, e terças de 150 x 150 x 3,0 mm, a cada 1,50 m) e uma abertura no topo permite a entrada de luz até um jardim interno, no miolo da construção, composto por vegetação nativa. A iluminação natural se difunde por painéis de vidro da cobertura e das vedações laterais para o interior. E, ainda, o vão formado entre a caixa de vidro e a cobertura de piaçava possibilita a circulação de ar.
A preocupação ambiental desse projeto se estende, inclusive, ao sombreamento, automatizado por meio de sistema de fotocélula na cobertura de vidro, à iluminação artificial, controlada para não interferir no ambiente externo, no uso da água, abundante no local e captada junto ao Rio Pouso Alto, mas restrita ao necessário e devolvida ao meio ambiente por meio de filtragens, sem uso de tratamento químico, e ao esgoto doméstico, filtrado em processos de purificação e cujos resíduos líquidos, após este processo, são infiltrados no solo.
Por estas razões, o projeto de Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma recebeu o Prêmio Rino Levi, conferido em 2004 pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – São Paulo. O aço, sem dúvida alguma, foi um personagem importante para esta premiação.
Ficha técnica
Projeto arquitetônico: Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma (Gesto Arquitetura)
Colaborador: Wilson PombeiroÁrea construída: 1.022 m²
Aço empregado: SAC 41
Projeto estrutural: eng. Yopanan C. Rebello
Execução da estrutura metálica: PerlexProteção da estrutura metálica: eng. Alfredo Nogueira (Pint Tecnologia de Pintura)
Execução das peças metálicas das passarelas: Staferro
Execução da obra: Construtora Porfírio e PlazaLocal: Barra do Uma, São Sebastião, SP
Data do projeto: 2000
Conclusão da obra: 2003
Texto publicado na revista Arquitetura & Aço, edição n° 19
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Concebendo uma clínica médica como um spa: The International Hair Clinic, em Moscou
Criada pelo estúdio italiano de design A+I, com sede em Moscou, a International Hair Clinic, recém-inaugurada no coração da capital, mostra como a luz e o design de interiores podem transformar não só um ambiente mas também a disposição do cliente, permitindo-o perceber a clínica como um centro de bem-estar, um lugar não apenas para se tratar mas para se sentir melhor.A clínica é marcada por um interior claro e despojado: as superfícies brancas das paredes, teto e do piso de epóxi brilhante se transformam em um "quadro" tridimensional, um segundo plano neutro em que poucos objetos essenciais se distinguem e diferentes cenários de luz definem a atmosfera.
No lobby, a área de entrada é definida por seis luminárias de teto Oslo, da Louis Poulsen, que proporcionam uma luminância difusa em todo o ambiente. A mesa da recepção, em Corian verde-uva, é iluminada por downlights dicróicos embutidos (ARC50, da Targetti), os quais possuem fontes de luz com diferentes potências para assegurar o conforto visual na estação de trabalho e dar ênfase para as composições florais características da decoração. Na parede, atrás, a fascinante obra de arte em luz “Dreaming Woman”, de Fabrizio Comeli, captura o olhar do visitante e se torna o tema que envolve a clínica.
A área de espera, concebida como uma pequena sala de leitura que observa o skyline em construção de Moscou, é composta por poucos elementos, porém marcantes. Cadeiras Egg, da Fritz Hansen, em dois diferentes tons de verde, ficam posicionadas em torno de mesinhas baixas. Acima delas, suspensos em diferentes alturas, pendentes PH50, da Louis Poulsen criam uma atmosfera doméstica, enfatizada pela prateleira irregular utilizada como expositor dos produtos de tratamento à venda.
Divisórias em vidro opaco, decoradas com ornamentos florais jateados, transformam as cabines dos cabeleireiros e médicos em boxes iluminados, cuja luz difusa emana do interior; as portas das cabines e salas de tratamento possuem placas luminosas com os números das salas (Dove, da MLE), uma solução normalmente adotada em design de hotéis.
As cabines dos médicos são concebidas como pequenos escritórios, com móveis da Knoll Scope Collection, luminárias de mesa AJ, de Arne Jacobsen – outro ícone do design escandinavo –, e com as PH Hat, também da Louis Poulsen, nas paredes.
As salas de atendimento são divididas em três áreas – tratamento, lavagem e massagem –, cada uma com um cenário de luz próprio. A luz geral é fornecida por luminárias com lâmpadas fluorescentes dimerizáveis (Beat, da Louis Poulsen) embutidas no teto, com telas protetoras de vidro. No centro do teto, uma luminária Oslo propicia uma luz delicada e difusa, e que permite que se desligue a luz geral durante as sessões de massagem. Nichos com iluminação em backlight criam a ilusão de janelas e adicionam espaço e luz ao ambiente.
Nesse projeto, o design de interiores e o lighting design estão estritamente conectados para definir uma atmosfera confortável e destacam a peculiaridade da clínica: conciliar a abordagem científica da medicina ocidental com as atitudes saudáveis das práticas orientais.
The International Hair Clinic
Moscou, Rússia
Projeto de Iluminação: Studio A+I
Mobiliário: Friz Hansen, Knoll, Sitland, MalettiFornecedores: Targetti Poulsen (marcas Targetti, Louis Poulsen e MLE)
Versão do inglês para o português para a revista L+D, edição n° 24, disponível em http://www.portallumiere.com.br/revistaonline/abre_revista.php?arq=198&id_revista=198&altura=768&largura=1024
Plasticidade e versatilidade
A escolha de telhas em aço zincadas resultou em movimento e dinamismo na fachada da TAM em JundiaíNo entorno da Rodovia Marechal Rondon, em Jundiaí, os arquitetos Renato e Lilian Dal Pian projetaram um megacomplexo composto por três hangares que abrigam os aviões Cessna comercializados pela TAM Linhas Aéreas.
Dentre as dificuldades enfrentadas estava o pequeno prazo para projetar e construir o complexo. De acordo com Renato Dal Pian, a agilidade exigida levou à escolha do sistema construtivo tilt-up, no qual as paredes perimetrais do edifício, moldadas em concreto armado sobre a laje do piso interno, são posteriormente içadas por guindastes à posição final. "O travamento destas paredes se faz pela estrutura metálica que suporta a cobertura, também metálica", diz o arquiteto.
Este sistema construtivo foi escolhido devido à rapidez na montagem da estrutura em aço, facilidade de limpeza no canteiro e capacidade de vencer grandes vãos. "Além disso, o revestimento externo em telhas de aço galvanizado, permeadas pela transparência das aberturas em vidro antirruído, enfatiza a horizontalidade do conjunto e reforça a identidade do edifício com as atividades contidas", destaca Renato. Os trechos de concreto que receberam os vidros e caixilhos foram pintados de vermelho e iluminados internamente para garantir maior destaque à noite.
O envelope metálico do megacomplexo utiliza telha Perfilor, tanto na cobertura como no revestimento externo dos painéis tilt-up. As telhas em aço zincadas foram aplicadas com recobrimento e aparafusadas entre si e são zincadas por imersão a quente e coloridas em processos de pré-pintura em linhas contínuas, sistema conhecido como coil-coating, dando maior plasticidade e versatilidade ao projeto, pois é possível compor curvas em coberturas ou fachadas, criando movimento, dinamismo e linhas orgânicas. Foram usados dois tipos de revestimento na cor RAL9006: Perfilor LR-33 (na parte superior do edifício, acima da linha das portas dos hangares) e Perfilor LR-39F (na parte inferior do edifício).
Padrão para o revestimento de chapas de aço em todo o mundo, a pré-pintura, ou coil-coating, usa resinas extremamente flexíveis de forma que o aço pré-pintado seja conformado sem que ocorram trincas. Além disso, mantém a tonalidade da cor uniforme por toda a extensão da superfície e assegura grande resistência à corrosão e ao ataque de raios UV.
O acesso principal ao conjunto se dá pelo prédio administrativo e é facilmente identificável pela transparência desse trecho da fachada, também marcado pela marquise metálica instalada na altura da laje entre os dois pavimentos, cada um com cerca de 6 m de pé-direito. No térreo foram dispostas todas as áreas de apoio e manutenção dos aviões, como docas, salas de elétrica e tapeçaria, áreas de apoio de hidráulica, suprimentos, balanceamento e reparos e espaços para reuniões. O térreo possui, também, salas extras para futuras ampliações e uma grande área central aberta para circulação e descanso de funcionários, com jardins e espelho d'água. E, por fim, as portas das garagens dos aviões, com cerca de 30 m de vão, empregam um sistema de recolhimento das folhas metálicas que permite total abertura sem ocupar muito espaço interno. (D.P.)
Ficha técnica
Projeto arquitetônico: Renato e Lilian Dal Pian (Dal Pian Arquitetos Associados)
Colaboradores: Pablo Chakur, Cristina Pereira, Paula Di Nubila e Filomena Piscoletta
Área construída: 18.938,66 m² (1ª fase) e 8.628 m² (2ª fase)
Aço empregado: perfis soldados e dobrados (estrutura), chapas e bobinas de aço estrutural USI Medacivil (ASTM A 242, ASTM A 606)
Projeto estrutural: Vendramini Engenharia (concreto e metálica)
Fornecimento da estrutura metálica: cobertura Medabil, chapas Perfilor
Execução da obra: WTorre Engenharia e Construção
Local: Jundiaí, SP
Data do projeto: 2003
Conclusão da obra: 2004
Texto publicado na revista Arquitetura&Aço, edição n° 18 - criação: Cibele Cipola
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Arquétipo de luz

Federal State Parliament Vaduz, Liechtenstein
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Aço em módulos
Projeto das Estações de Transferência para a Prefeitura de São Paulo utiliza o aço na estrutura em módulos, agilizando o processo de produção e minimizando custos
Os paulistanos ganharam mais um equipamento urbano que, além de conferir unidade à estética da cidade, cumpre a função básica de prestar um serviço aos usuários de ônibus, dada sua praticidade e segurança. Tratam-se das Estações de Transferências instaladas em vários locais da capital, projetadas pelos arquitetos Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci, vencedores do concurso promovido pela Prefeitura de São Paulo para o sistema integrado de transporte público.
Premiado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) em 2004, na categoria obras especiais, o projeto, segundo seus autores, se destaca por algumas características, como “transparência, modularidade e um design contemporâneo que remete à indústria automotiva”, além de oferecer conforto e apresentar grande resistência a depredações.
De acordo com os arquitetos, estes grandes “pontos de ônibus”, implantados nos canteiros centrais dos corredores de ônibus da capital paulista, foram pensados com estrutura mínima para não obstruir a visão de um lado para o outro da via e não interferir na paisagem urbana, além de atender à especificação do projeto de que a modulação das estações deveria obedecer a um módulo mínimo de 8 m que se repetisse nas estações de 16 m e 40 m, já que o sistema prevê uma distribuição conforme a demanda e infra-estrutura necessárias ao seu funcionamento – a princípio seriam 350 Estações de Transferência, cada uma composta por dois a quatro abrigos para usuários, conforme a demanda de fluxo do cruzamento.
“Pensamos em uma modulação componível que formasse uma família, com diversas dimensões, tanto na largura como no comprimento, e que satisfizesse as várias situações encontradas nos canteiros, como a quantidade de usuários e junção dos módulos em ruas inclinadas”, destaca Marcelo Barbosa.
Para as Estações de Transferência, a concepção da estrutura em módulos e das peças componíveis utilizou uma produção em série, como na indústria automotiva, imprimindo agilidade ao processo e barateando custos. “Por isso, as soluções da estrutura e do design serem focados no aço e no cálculo-limite para reduzir as dimensões dos perfis”, afirma Marcelo. A estrutura das Estações é formada por dois pórticos metálicos paralelos, cada qual constituído de uma estrutura de 22 cm de altura vencendo um vão máximo de 40 m, com apoios pontuais de 9 cm de espessura.
As primeiras Estações de Transferência entraram em operação em abril de 2004 e, atualmente, ocupam o trecho inicial do corredor da Avenida 9 de Julho, da praça da Bandeira até o túnel. São duas paradas: INSS (com duas plataformas) e Getúlio Vargas (com três plataformas).O concurso também requereu estudos para bancas de jornais e pontos de táxi, e o projeto de Jupira Corbucci e Marcelo Barbosa recebeu a atenção de publicações internacionais, confirmando o valor da criatividade brasileira na concepção e execução de projetos de design para mobiliários urbanos.
Mobiliário Belo Horizonte
Postes de iluminação
A Praça Sete de Setembro, no coração de Belo Horizonte, é o palco para o projeto dos arquitetos João Diniz, Graça Moura e Márcia Moreira, vencedores de uma das etapas do concurso BH Centro – Idéias para o Centro de Belo Horizonte. Responsáveis pelo mobiliário no trecho da rua Rio de Janeiro, os arquitetos idealizaram postes de luz de acordo a uma solicitação específica da Prefeitura em deixar o local muito bem iluminado à noite, atentando para a valorização da arquitetura histórica dos edifícios. Com 5 m de altura e a uma distância de 6 m um do outro, os postes são de aço USI SAC 41 com pintura em tonalidade forte para sobressair no conjunto.
Cobertura em balanço
A cobertura precisou atender a uma característica importante da praça: local de tráfego intenso devido à entrada de garagem de um hotel, além de ser utilizada por floristas e representar um ponto de encontro na cidade. Sua principal característica é o balanço com 5 m de largura, solucionado por meio de quatro mãos francesas em chapas com espessura de 16 mm. A estrutura é formada por quatro cantoneiras em "L", de 203 x16 mm e possui 20 m de comprimento.
Frase “A cobertura em balanço funciona como um lounge urbano, onde as pessoas podem se encontrar nas mais diversas atividades.”(Arquiteto João Diniz)
O aço e o maior arquiteto brasileiro
No final da década de 1950, Oscar Niemeyer tira partido do aço para cumprir os prazos de construção do Congresso Nacional e Esplanada dos Ministérios, edificações de seu mais importante trabalho, Brasília
Ousadia, tenacidade, inventividade. Estas três palavras descrevem o processo por qual passou a criação de Brasília, há 51 anos. No centro-oeste brasileiro, praticamente inóspito no ano de 1957, o arquiteto Oscar Niemeyer colocou em prática sua nova concepção estética, adquirida após uma longa viagem em contato com as grandes edificações européias, sem, contudo, renunciar aos princípios fundamentais que até então nortearam sua obra: o emprego de materiais modernos, a exploração da flexibilidade do concreto e a linguagem incessantemente renovada por sua fértil imaginação plástica.
O trabalho de Niemeyer em Brasília pode ser dividido em três categorias distintas: os palácios de pórticos, os edifícios compostos por jogos de volumes simples e os edifícios religiosos de planta centrada. Destes grupos, o mais inesperado e homogêneo em sua inigualável originalidade é o primeiro. E é, contudo, no segundo grupo que se encontra um aspecto também inesperado na obra do mais renomado arquiteto brasileiro: o aço.
Defensor do uso do concreto na arquitetura, Niemeyer tirou partido pela primeira vez das estruturas metálicas ao se defrontar com o prazo exíguo da construção da nova capital do Brasil. Um dos seus primeiros projetos, então, foi o Brasília Palace Hotel, inaugurado em 1958 e cujas estruturas metálicas contabilizaram 905 toneladas de aço, fabricadas em Volta Redonda e transportadas de trem até Anápolis (GO) e por rodovia até Brasília, onde foram montadas até dezembro de 1957.
A segunda vez em que as estruturas metálicas novamente foram necessárias para que ele cumprisse o compromisso de construir Brasília em prazo recorde foi para agilizar as obras dos Ministérios e do Anexo do Congresso Nacional. Fabricadas nos Estados Unidos pela Bethleheim Steel, as estruturas tinham 15 mil toneladas e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro. Para chegarem até o canteiro de obras, percorreram o mesmo caminho daquelas utilizadas no Brasília Palace Hotel e a responsabilidade da montagem ficou a cargo da empresa norte-americana Reymond Pill, especializada em fundações e que no Brasil se estabeleceu sob o nome de Construtora Planalto.
Devido ao pouco conhecimento sobre a edificação em aço na época, a maior dificuldade encontrada por Niemeyer foi o despreparo da mão-de-obra, a qual, diante das dificuldades da montagem da estrutura, precisou receber, de forma quase que precária, os rudimentos da técnica de construção em aço.
A obra de maior complexidade foi o edifício do Anexo do Congresso Nacional, com 29 pavimentos, iniciada quando as obras do edifício principal já estavam bem adiantadas, e que para ser executada em prazo hábil recebeu estruturas metálicas no lugar das de concreto. Na Esplanada dos Ministérios, situada de ambos os lado do Eixo Monumental, foram dispostos os 11 primeiros edifícios ministeriais, todos com estrutura metálica.
Cada edifício compreende, além do térreo, mais oito pavimentos tipo, com 16 mil m² de área construída, na qual foram empregadas 1.080 toneladas de estruturas metálicas, cuidadosamente classificadas de acordo com um plano de montagem, com identificação de cada peça, inclusive com as extremidades pintadas com cores diferentes, para que a administração de obra e os operários pudessem distinguir as de um edifício para outro, uma vez que todas eram semelhantes.
A história de Brasília é, portanto, a prova da ousadia, tenacidade e inventividade de Oscar Niemeyer, que visualizou o aço como meio para chegar aos seus objetivos construtivos. Afinal, ele afirmou que “antigamente quando se terminava uma estrutura via-se apenas lajes e apoios. A arquitetura vinha depois, como uma coisa secundária e eu queria o contrário, essa junção das estruturas com a arquitetura; queria que elas nascessem juntas e fossem bastante sem nenhum detalhe para demonstrar o projeto de arquitetura”.
Poesia + Técnica
Um grande volume branco construído às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre (RS), abriga três tesouros: a coleção Maria Camargo, com obras de Iberê Camargo, a genialidade arquitetônica de Álvaro Siza e a engenhosidade do projeto luminotécnico das empresas portuguesas GPIC/GOP. É o Museu Iberê Camargo, inaugurado em maio deste ano.
Premiado com o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002, o projeto transformou-se em uma das obras-referência da arquitetura no Brasil. Construído para abrigar as mais de quatro mil obras de Iberê Camargo, um dos maiores artistas brasileiros do século XX, o prédio possui nove salas de exposição, oficina de quadros, auditório e estacionamento subterrâneo.
Para dar vida ao sonho da Fundação Iberê Camargo, foram necessários quase dez anos e o arquiteto português Álvaro Siza foi escolhido por ter – assim como o artista plástico gaúcho – a busca pela perfeição como uma das principais características de seu trabalho. Detalhista, Siza deteve-se também no desenho de algumas luminárias e peças de mobiliário.
A construção ocupa 8.200 m² do espaço de uma antiga pedreira, em terreno doado pela Prefeitura de Porto Alegre e localizado em frente ao Guaíba, cartão-postal da cidade e um dos maiores orgulhos dos porto-alegrenses. À semelhança do Guggenheim Museum, de Nova York, projetado por Frank Lloyd Wright, o trajeto para apreciação das exposições pode ser feito de duas formas: por rampas ou por elevador.
As salas de todos os pisos são abertas para o espaço do átrio, ou encerradas por painéis removíveis com até 4m de altura, permitindo a entrada da luz natural a partir do átrio. As salas do último piso recebem luz natural e artificial através de lanternins constituídos por vidro duplo, com acesso intermediário para limpeza e regulação de luz. O espaço do átrio recebe luz por lanternim situado no terraço e por aberturas para o exterior, posicionadas na parede curva.
O conceito de iluminação presente no projeto arquitetônico de Álvaro Siza impôs aos sistemas de iluminação artificial um comportamento semelhante ao da luz natural. “Assim, o desafio técnico que se apresentou foi dotar os ‘falsos lanternins’ das salas de exposição dos pavimentos 2 e 3 de um sistema de iluminação com funcionamento idêntico ao dos lanternins de luz natural (e artificial) das salas de exposição do pavimento 4. A solução encontrada, após várias experiências em protótipo e em modelos de cáculo (realizados no Dialux)”, explica o engenheiro Alexandre Martins, do escritório GPIC, “foi transformar os falsos lanternins em ‘caixas de luz’, instalando em seu interior linhas de luminárias suspensas a meia altura e voltadas para cima. Com esta técnica, foi possível melhorar significativamente a difusão da luz e a uniformidade na face aparente dos lanternins. Além disso, todos os lanternins (falsos e verdadeiros) possuem trilhos de iluminação ocultos em seu interior que permitem a instalação de projetores, os quais receberam lâmpadas T5 de 28W/840, com temperatura de cor de 4.000K.
Integrado ao sistema de automação do edifício, há também um sistema de controle de iluminação que permite a utilização de cenários pré-programados, todos mantendo a mesma temperatura de cor e IRC de 85%.
Nas rampas de circulação entre os pavimentos das salas de exposição, a iluminação artificial segue o esquema dos lanternins e a solução adotada foi a instalação de fendas de luz com cerca de 600x43mm e 900x43mm, constituídas por molduras de alumínio encaixadas nos tetos falsos com difusores de policarbonato (com lâmpadas T5 14W/840 e T5 21W/840, respectivamente).
O Museu também tem como característica a ser destacada a eficiência energética, segundo Martins. “Diria que é um dos mais eficientes em que nosso escritório trabalhou. São apenas 3W/m² a 6W/m² para todo o edifício, dependendo dos cenários selecionados, muito abaixo do comum em museus, que varia entre 10W e 15W/m², e atende aos padrões internacionais mais exigentes.”
Outro desafio dos projetos de controle ambiental foi o de equilibrar a luz natural – que entra pelos lanternins do pavimento 4 – e manter a temperatura ambiente em níveis ideais para não afetar as obras do artista, cujos materiais são extremamente sensíveis à luz. Tudo foi estudado para que a radiação ultravioleta incidente não afetasse as obras de arte expostas, e a radiação que penetra o edifício tivesse potência inferior a 47 W/m², valor considerado ideal por especialistas.
Tais lanternins são do tipo sanduíche e são constituídos por uma barreira UV em vidro com características especiais, a 1m acima da cobertura; uma segunda barreira UV, e uma terceira, em vidros foscos, posicionados a cerca de 3m abaixo da segunda, garantindo a difusão das luzes natural e artificial. De acordo com o engenheiro, a iluminação artificial destes lanternins é garantida por linhas de luminárias instaladas nos “falsos lanternins”, suspensas em cabos de aço acima dos vidros anteriores, e o sistema de regulagem da luz natural será colocado acima da luz artificial.
A já mencionada busca pela perfeição de Siza se evidencia no cuidado com os detalhes, como as aberturas que o arquiteto posicionou nas rampas que interligam os andares: posicionadas em pontos estratégicos, permitem a apreciação do famoso pôr-do-sol no Rio Guaíba. “Em termos de proteção UV, estas janelas não nos preocuparam tanto, pois estão protegidas nos períodos em que a radiação solar é mais intensa, e ao pôr-do-sol a radiação UV é inofensiva e fortemente atenuada pelos vidros e pela distância entre estes e os locais de exposição”, conclui Alexandre Martins.
Ao integrar a abordagem poética e detalhista de Siza às soluções inteligentes do projeto luminotécnico – que não apenas valoriza as formas esculturais do edifício, mas também as obras nele expostas –, o Museu Iberê Camargo deve se consolidar como um marco na arquitetura de nosso país.
