Capa da revista Feijoada VIP Refúgio, um dos trabalhos mais legais que assinei em 2010, produzido pela Du.Scatolin com muita competência e bom gosto.terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Revista Feijoada VIP Refúgio
Capa da revista Feijoada VIP Refúgio, um dos trabalhos mais legais que assinei em 2010, produzido pela Du.Scatolin com muita competência e bom gosto.segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Aço para obras a jato
Foto do aeroporto do Porto, cedida pela agência reguladora dos aeroportos de PortugalOs aeroportos brasileiros serão os portões de entrada dos 500 mil turistas estrangeiros esperados para a Copa do Mundo 2014 e, segundo um ditado popular, a primeira impressão é a que fica. Sendo assim, nossos aeroportos precisarão imprimir a tradicional vocação de hospitalidade do povo brasileiro e revelar aos visitantes, logo na chegada, que o Brasil possui tecnologia e infraestrutura para receber aos mais exigentes viajantes, sejam estrangeiros, sejam locais.
A tarefa de construir ou ampliar os aeroportos nas cidades-sede da Copa não é fácil e exigirá rapidez na execução dos projetos, pois são considerados pela FIFA como infraestrutura essencial para a recepção e locomoção do volume de turistas esperados para o evento, pois o avião será o meio mais ágil no deslocamento dos torcedores durante os jogos, além das centenas de atletas, jornalistas e funcionários da FIFA que virão ao Brasil.
De acordo com a Infraero, Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, o planejamento dos investimentos nos aeroportos relacionados aos jogos da Copa do Mundo é da ordem de R$ 7 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.
Autor do projeto do Aeroporto Internacional Augusto Severo, localizado em Natal (RN), uma das cidades-sede da Copa 2014, Sergio Parada acredita que o uso do aço seja um dos materiais mais indicados para se cumprir os prazos dos projetos de ampliação e construção dos aeroportos. Aliás, a experiência do arquiteto com o uso do aço em obras aeroportuárias lhe confere fortes credenciais: o aeroporto de Natal é o primeiro em sua categoria no Brasil a ter a estrutura totalmente concebida em aço, desde a concepção do projeto. No aeroporto de Natal, o aço está presente, além da estrutura, na cobertura, nas carenagens dos pilares, forro e lajes em steel deck.
“Este tipo de arquitetura”, afirma Parada, “exige uma preocupação com o usuário, de modo a favorecer a leitura do edifício, respeitando a escala humana e proporcionando deslocamentos claros. A linguagem adotada no Augusto Severo é a de um prédio transparente e integrado com seu entorno físico e sua arquitetura marca, por meio de tecnologia aprimorada e expressão plástica, a identidade com o espírito da cidade e da região à qual serve.”
Para isso, o aeroporto de Natal foi concebido a partir de uma estrutura simples, “mas que desenhasse as curvas do teto que imaginei”, diz o arquiteto. Há uma sequência de vigas treliçadas planas que cortam transversalmente o edifício a cada 12 m, nos vãos propostos pelo projeto anterior e descartado pela Infraero e que limitaram as fundações. A estrutura de cobertura é travada por outras vigas longitudinais e mãos-francesas e a que forma o piso do mezanino e, consequentemente, o pavimento técnico, foi executada com treliças em perfis I, assim como os pilares.
No desenho arquitetônico, destaca-se a cobertura com jogo de planos curvos, os quais não se tocam para que a luz penetre no edifício como se fossem grandes sheds, uma clara homenagem do arquiteto à beleza natural da região. “No interior do edifício, além do aproveitamento da luz, eu queria que o ar circulasse livremente, possibilitando, desta forma, um desenho de uma arquitetura ambientalmente correta.”
No caso dos aeroportos brasileiros que precisarão ser ampliados para a Copa 2014 e continuarão em funcionamento, o aço se revela como a alternativa mais acertada para a execução das obras no prazo exigido pela FIFA. Neste tipo de projeto, o Aeroporto Santos Dumont do Rio de Janeiro (RJ) pode ser uma inspiração para arquitetos e engenheiros.
Considerado um ícone da arquitetura modernista brasileira, o Terminal de Passageiros do Aeroporto Santos Dumont foi projetado na década de 1930 pelos irmãos Milton e Marcelo Roberto e sua arquitetura ficou descaracterizada ao longo de sua vida por reformas e adaptações, até que, em fevereiro de 1998, um incêndio o destruiu quase por completo. Recuperado com projeto do arquiteto Sergio Jardim, retomou sua volumetria original e outras características marcantes de sua época, o que resultou em seu tombamento pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac).
Em 2004, o Terminal de Passageiros do Santos Dumont novamente foi alvo de ampliação, mais uma vez com projeto de Sergio Jardim, que encontrou diversas condicionantes como desafio: além de ser tombado, a ampliação não poderia impedir a visão da Baía da Guanabara e deveria considerar o mínimo de intervenções no prédio existente. Portanto, “a ampliação do Santos-Dumont foi concebida de modo a ‘envolver’ o prédio existente originalmente e tombado”, afirma Sergio Jardim. Desta forma, criou-se um bloco lateral ao prédio existente para as funções de embarque, ficando o prédio original com as funções de desembarque. Relacionando estes dois blocos, e dadas as características estéticas, foi criado o chamado bloco de ligação em aço que relaciona os citados blocos com o Conector, também em aço, onde estão as salas de embarque e pontes metálicas de embarque e desembarque. “Todo este conjunto precisava necessariamente de soluções arquitetônicas que conferissem leveza e transparência ao conjunto, daí a opção pelas estruturas em aço”, destaca.
Em termos construtivos, o grande destaque da ampliação do Santos Dumont, sem dúvida, é o Conector que interliga os quatros prédios que formam o Terminal de Passageiros: uma estrutura em tubos de aço e vidro que forma uma edificação elíptica com 3.360 m² e 287,50 m de comprimento.
Toda a obra de reforma do Santos Dumont levou apenas dois anos e Sergio Jardim reforça o coro dos que defendem o aço como solução construtiva para os projetos da Copa 2014. “Seguramente, o aço é o material mais adequado devido às suas características de leveza arquitetural e estrutural, além da maior facilidade em agregá-lo a estruturas existentes, conferindo maior velocidade aos processos construtivos”, garante o arquiteto.
Experiência além-mar
Em Portugal, encontramos mais um exemplo da agilidade que o aço impõe a qualquer obra, defendida pelos dois arquitetos brasileiros. Foi o que aconteceu com o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na cidade do Porto, em que novos pisos foram construídos sobre o terminal existente em operação. A solução construtiva encontrada foram as estruturas em aço. A partir dos requisitos do projeto, de acordo com Tiago Abecasis, engenheiro responsável pelo projeto estrutural do aeroporto pela empresa Tal Projecto Lda, era claro a necessidade de se reduzir ao mínimo a quantidade de elementos da nova estrutura que atravessam os espaços onde funcionavam equipamentos e serviços, ou circulavam pessoas e bagagens, além de toda a movimentação das peças que constituem as estruturas dos novos pisos sobre a cobertura existente. “O material estrutural que melhor se adequa a esses condicionamentos é, sem dúvida, o aço, que permite vencer grandes vãos e suportar esforços elevados com peças relativamente leves”, destaca Tiago Abecasis.
O Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi eleito, em 2007, a melhor obra de Portugal em aço pela European Convention for Constructional Steelwork (ECCS) - Convenção Europeia para Construções em Aço -, e conforme explicou o júri, a premiação foi concedida devido ao edifício vencer 80 m de vão por meio do emprego de estruturas trianguladas e combinar a transparência com a leveza da estrutura, apropriadas a esse tipo de edificação. O Terminal também foi escolhido, em 2009, como o terceiro melhor aeroporto da Europa em sua categoria – menos de 5 milhões de passageiros/ano.
Com a ampliação, o Terminal de Passageiros do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que ocupava uma área com 200 m x 80 m, passou a ter 840 m x 120 m, com altura máxima, acima do nível de estacionamento, de 9,5 m para 32 m.
Sonho em aço e vidro
Com adjetivos superlativos, o Aeroporto Internacional Suvarnabhumi, em Bangcoc (Tailândia), é uma das obras arquitetônicas recentes que mais impressionam no quesito dimensão: há espaço suficiente para um campo de futebol entre os dois únicos pilares do terminal. Projetada pelo arquiteto Helmut Jahn, do escritório Murphy/Jahn Architects, a construção, finalizada em 2004, também impressiona pelo ar futurista impresso pelas vigas de aço e pelos vidros do fechamento lateral, nos quais foram utilizados 3.500 toneladas de aço e 100 mil m² de vidro.
O Terminal de Passageiros do Suvarnabhumi (que significa, em tradução livre, terra dourada) é uma construção inovadora e sua superestrutura consiste principalmente em pilares de aço distanciados a 126 m, que suportam o peso do telhado de 210 m x 576 m, que cobre o prédio envidraçado do terminal e se projeta por mais cerca de 40 m acima dos pilares – seis no total, ligados por meio de gigantescas vigas pesando 1.700 toneladas. O aço no aeroporto de Bangcoc foi utilizado, inclusive, nas grades, painéis, escadas, torre de controle, grades de vidro, balcões de check-in. Sete pavimentos e uma cave dão uma área total de 563 mil m², que o tornam provavelmente o maior aeroporto do mundo, mas que, ainda, será ampliado.
Texto original, não editado, para a edição especial Copa 2014 da revista Arquitetura & Aço - dezembro 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Últimas tendências em arquitetura de academias de ginástica

os mais modernos padrões arquitetônicos da atualidade, que são os de oferecer bem-estar aos alunos e permitir a socialização
foi levado para o último andar, bem ventilado e com uma vista agradável da cidade. No andar intermediário, criamos um amplo espaço de convivência (foto ao alto) para que os alunos sintam-se realmente em casa. A ideia é que, com o tempo, os próprios alunos apropriem-se do espaço e ele adquira a característica de cada um, e, consequentemente, do grupo de frequentadores”.
Sobre o trabalho da arquiteta Patricia Totaro, especializada em projetos esportivosPatricia Totaro atua há 14 anos no mercado esportivo, desenvolvendo projetos de arquitetura para academias de ginástica, centros esportivos, clubes e spas, com mais de 80 projetos neste segmento em toda a América Latina. É palestrante nos mais importantes eventos esportivos, como IHRSA/Fitness Brasil, Brasília Capital Fintess, Sports Business, dentre outros. É membro da IAKS - International Association for Sports and Leisure Facilities -, do Instituto dos Arquitetos do Brasil e da ASBEA - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura. É consultora de arquitetura da Associação Brasileira da Indústria do Esporte e redigiu para o Secovi (Sindicato da Habitação) o Manual de Escopo de Contratação de Projetos de Infraestrutura Esportiva. Dentre seus projetos de academias de ginástica estão as 4 unidades da rede Monday, Eco Fit Club, Runway, Unique Family Club, Escola de Dança Pulsarte, Planet Sports, Carpe Diem, Bio Ritmo, Bourbon Atibaia, Complexo Esportivo Maria Imaculada.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Envelopagem refinada
Indústria do segmento automotivo aposta no revestimento metálico para destacar área de produção, em projeto premiado pela AsBEASutileza e refinamento. Estes foram os princípios que nortearam a escolha de chapas metálicas corrugadas para o acabamento do bloco da produção da fábrica da MTE-Thomson, indústria de autopeças localizada em Jaguariúna (SP).
Com projeto arquitetônico de Dante Della Manna Junior, premiado em 2006 pela AsBEA na categoria projeto industrial, a edificação tem como principais características a simplicidade, limpeza de solução e baixo custo.
Construída em apenas quatro meses, a fábrica da MTE Thomson é composta por quatro áreas - produção, suporte, montagem final, administração e área para funcionários (refeitório, vestiários etc.). De acordo com Della Manna, para cada área corresponde um volume de edificação, com pés-direitos, equipamentos e acabamentos voltados às necessidades específicas. "Cada bloco tem um acabamento diferente. A administração é revestida por fulget, a produção por chapas metálicas corrugadas, a montagem, áreas de funcionários e de suporte em pré-moldado de concreto", afirma. As telhas utilizadas no fechamento externo são do tipo perfil multidobra Z275, com espessura de 0,50 mm, pós-pintado.
As escolhas dos revestimentos, segundo o arquiteto, foram técnicas e formais. “Queríamos uma sutileza e um refinamento de solução no acabamento dos blocos", diz.
Tirando o máximo partido dos elementos racionais de construção, os setores de produção e montagem foram implantados no centro do terreno e articulam a localização dos escritórios, dos depósitos e do refeitório, respectivamente nos trechos frontal, lateral direito e posterior do lote. Esta setorização escalonada favoreceu a linguagem arquitetônica do projeto, cujos blocos têm diferentes dimensões e diferentes materiais, com destaque para o bloco da produção com os painéis metálicos horizontais que recobrem o concreto, utilizado como padrão de vedação nesse projeto.
A envelopagem metálica é, portanto, uma inovação construtiva que o aço e os revestimentos metálicos imprimiram na arquitetura atual, permitindo a eliminação de arestas e de ângulos retos e dando ampla liberdade de formas, já que podem ser usados em curvas e com diversas texturas e acabamentos.
Ficha Técnica
Projeto arquitetônico: Dante Della Manna Junior (Dante Della Manna Arquitetura)
Colaborador: Antonio Mantovani Neto
Área construída: 5.500 m²
Projeto estrutural: Construtora Tulipa
Aço empregado: aço galvanizado Z275
Fornecimento do aço: Soufer Industrial
Construtora: Construtora Tulipa (galpão de produção)
Local: Jaguariúna, SP
Data do projeto: 2005
Conclusão da obra: 2005
Reportagem realizada para a revista Arquitetura&Aço, edição n° 18
terça-feira, 9 de junho de 2009
Arcos: plástica característica do Estádio Olímpico João Havelange

Como surgiu a ideia da cobertura atirantada por arcos, que é a característica plástica principal do Estádio Olímpico João Havelante?
É difícil para um arquiteto precisar o momento em que uma ideia, que resolva um problema de projeto, surge. De uma certa maneira, o processo se faz por aproximações sucessivas. Pelo menos para mim, não aparece assim de estalo. Quando você percebe, a mão com o lápis está como que procurando o desenho que começa a se formar na sua cabeça. E isso vai acontecendo aos poucos. Vai tomando forma e, num determinado momento, aparece o desenho que materializa a solução que você queria. Agora, todo o arquiteto, todo o artista em seu processo criador, tem suas próprias referências pessoais e profissionais, referências que vão se acumulando ao longo de sua carreira, desde os primeiros anos de faculdade, e das quais faz uso, muitas vezes inconsciente, ao lançar os primeiros traços de seu novo trabalho. No meu caso, se eu fosse buscar as referências mais significativas entre os diversos estádios esportivos que conheci, encontraria o projeto apresentado por Oscar Niemeyer, em 1941, para o Concurso para o Estádio Nacional, nos terrenos do Derby Club, onde foi construído o Maracanã. Um belo projeto, com um grande e único arco de concreto, sustentando o enorme balanço da cobertura.
Proposta para cobertura do Estádio Nacional por Oscar Niemeyer, à direitaNo nosso caso, o Estádio Olímpico João Havelange é o resultado de três projetos diferenciados que se sucederam guardando uma característica inconfundível e comum a todos: a sustentação da ampla cobertura por quatro ou até oito arcos metálicos apoiados em pilares externos ao seu contorno e que se ajustavam tanto na diagonal quanto formando ângulos retos entre si.
Ele começou a se desenhar no final do ano de 1995, na Riourbe, uma empresa da Prefeitura do Rio, quando o projeto que elaboramos serviria para um estádio de futebol para 50 mil espectadores em um terreno na Barra. Naquela ocasião, o Memorial Descritivo do Estádio já destacava, entre as suas principais características, a grande cobertura metálica “sustentada por quatro grandes arcos, também metálicos, em sistema de cabos estaiados, conferindo ao coroamento a monumentalidade requerida”, segundo os termos então empregados.
Esta ocasião surgiu no final de 2002, com a escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Panamericanos de 2007. Naquele momento, a Prefeitura nos solicitou, então, que estudássemos um outro projeto para a atualização das ideias anteriores. Foi assim que surgiu o estádio para o Pan-2007, com essa nova formatação - projetado pelos arquitetos Carlos Porto, Geraldo Lopes, Gilson Santos e José R. Ferreira Gomes – e tendo uma capacidade inicial para 45 mil espectadores e previsão para um possível acréscimo de mais 15 mil lugares, chegando assim aos 60 mil lugares, no terreno de 200 mil m², localizado em frente à Estação do Engenho de Dentro.
Como esta ideia foi solucionada? Qual a dimensão dos vãos?
A bem dizer, a ideia já nasceu com sua solução estrutural clara e definida. O que fizemos depois, em conjunto com a equipe de calculistas, tanto de concreto quando da cobertura metálica propriamente dita, foi ajustar o dimensionamento dos componentes mais significativos, do ponto de vista plástico, como, por exemplo, os gigantes de concreto que sustentam e apoiam os arcos, o diâmetro dos arcos e dos tirantes, os aparelhos de apoio e assim por diante. No caso dos vãos entre os apoios dos arcos da cobertura ficamos com 221 m para os arcos maiores e 163 m para os menores. Um trabalho que, como sempre acontece, era ajustado diariamente com as equipes de montagem no canteiro, com várias interferências, especialmente quanto aos prazos de todas as etapas de execução, o que nos remetia sempre à escolha preferencial por determinados tipos de escoramentos, de alguns perfis e de chapas a serem calandradas, e ainda das possibilidades técnicas de execução de peças pelos fornecedores contratados. São fatos comuns no andamento de uma obra desta envergadura, cujo trabalho em equipe passa pela sucessão de etapas possíveis, dentro de cronogramas apertadíssimos, como foi o caso. Um ajuste diário entre o sonho imaginado e a realidade possível. Felizmente, o esforço de todos, construtores, projetistas, fiscais e, em especial, dos operários que são os que fazem com que tudo aconteça, foi recompensado. Hoje, no hall principal do Estádio Olímpico João Havelange, os nomes de cada um dos que fizeram aquela obra possível estão lá gravados, numa homenagem especial: administradores, dirigentes, arquitetos, engenheiros, técnicos e os mais de 3 mil operários que trabalham na obra, em todas as etapas de sua execução.
O processo construtivo da cobertura requereu um estudo minucioso, inclusive com testes no Canadá. Fale um pouco sobre este estudo e as soluções encontradas.
Tipologia Estrutural
A estrutura de cobertura do Estádio Olímpico João Havelange é composta por quatro grandes arcos tubulares, os quais, por meio de tirantes de suspensão, suportam 42 tesouras treliçadas de 50 m de comprimento, formando um anel arqueado para apoio do sistema de cobertura.
Arcos lleste-oeste: vão livre de 21 m
- Pendurais suspensão
Arcos norte-sul: vão livre de 163 m
Megacolunas de concreto armado, altura de 4,2 m, seção do tubo 480 x 35 cm.
Esquema estrutural da cobertura
Arcos leste-oeste
Nos setores leste e oeste, temos dois arcos planos com vão livre de 221 m, formados por perfis tubulares com 2.000 mm de diâmetro e espessuras variando de 22 a 25 mm; cada arco é estabilizado por tirante inferior tensionado composto por tubo com diâmetro de 800 mm e espessura de 19 mm.
A flecha entre arcos e tirantes é de 31,40 m; estes conjuntos estão apoiados em megacolunas de concreto armado com seção tubular circular; as colunas têm altura de 42 m, diâmetro de 4,80 m e espessura da parede de 35 cm.
Arcos norte-sul
Nos setores norte e sul temos dois arcos planos com vão livre de 163 m, formados por perfis tubulares com 2.000 mm de diâmetro e espessuras variando de 19 a 25 mm. Cada arco é estabilizado por tirante inferior tensionado composto por tubo com diâmetro de 800 mm e espessura de 19 mm.
Túnel de vento
Para a determinação correta do efeito de vento sobre a cobertura, foram realizados testes em modelo reduzido no túnel de vento do laboratório RWDI, no Canadá, e após várias análises determinou-se a adoção de 16 carregamentos.
Tesouras
A cobertura é composta por 42 tesouras, com comprimento de 50 m, que coincidem a cada dois pórticos de concreto do estádio. As tesouras estão espaçadas aproximadamente 20 m e interligadas por joists, que por sua vez travam as tesouras e recebem o sistema de cobertura.
Qual o papel do aço nesse projeto e como ajudou a agilizar a obra?
Quando, no século 19, acontece uma grande demanda por eventos de massa para o público das capitais e os empresários procuravam canalizar este desejo, as novas tecnologias construtivas facilitaram a construção de grandes estruturas. Esse momento coincide com o emprego do ferro conjugado com o vidro na construção, quando surgiram as enormes pontes e as estações ferroviárias, as galerias envidraçadas e os espetaculares pavilhões das feiras internacionais. Desta forma, o aço sempre esteve ligado, desde a origem, a essas possibilidades oferecidas pelas novas técnicas, então disponíveis. No campo dos esportes, esse ímpeto chegou por meio da reedição das Olimpíadas, com a proposta do Barão de Coubertin, para os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, realizados em Atenas, em 1896. No entanto, esses primeiros estádios do século 19 eram um assunto, por assim dizer, da engenharia. Ainda que soberbas estruturas tenham sido levantadas, essa limitação levava a uma desnecessária restrição quando se imagina as possibilidades que o tema oferece. Na verdade, os estádios não são apenas trabalhos de engenharia, mas antes de tudo a expressão da cultura popular e esportiva. Mesmo quando classificados como um tipo de arquitetura utilitária, eles têm renovado seus laços com a arquitetura. Os últimos exemplos de Atenas 2004 e Beijing 2008 estão aí para nos mostrar o poder dessa poderosa associação entre a arte e a técnica.
Sabemos que a acomodação de multidões exige uma complexidade técnica e logística da mesma forma que um significado social e simbólico. Os vários modelos e exemplos dessas estruturas executadas podem ser lembradas não apenas por terem sediados eventos importantes, mas por possuírem aquelas qualidades arquitetônicas que são a essência dos grandes projetos preparados para os grandes fatos e feitos esportivos da Humanidade: monumentalidade, liturgia, significado, grandeza, porte e presença marcante. Um estádio de alta qualidade é um fator importante na disputa competitiva entre cidades, e sua arquitetura se reflete de grande significado. São estruturas de alta significação e representatividade para elevação da autoestima de uma cidade ou mesmo de países. Portanto, o desenho do Estádio Olímpico João Havelange envolve mais do que apenas sua simples construção, muito mais do que isso. Ele espelha o profundo significado que tem o esporte em nossa cultura e, em especial, responde a uma vocação que é muito forte e intrínseca da nossa cidade, uma vocação para a celebração nos seus espaços livres das ruas e das praças, da nossa alegria musical e espontânea, que se traduz por essa paixão com que sabemos celebrar os nossos maiores feitos esportivos.
Especificações técnicas da cobertura do Estádio Olímpico João Havelange
Devido à complexidade do projeto e diversidade do comportamento estrutural, foram utilizados quase todos os perfis e chapas disponíveis no mercado brasileiro, tendo inclusive a inovação no uso de joists com perfis laminados de pequeno porte (PEL).
- Tubos dos arcos e chapas em geral: aço USI SAC 300 (patinável)
- Tesouras
Banzos: perfis laminados ASTM A 572- Grau 50 (Gerdau e Açominas)
Diagonais e montantes: tubos de seção circular, tubos sem costura VM 300-COR e tubos com costura USI SAC 300
- Joists
Banzos: perfis laminados ASTM A 588- PEL (Gerdau)
Diagonais e montantes: perfis dobrados a frio com aço USI SAC 300
- Pendurais de ligação: arcos e tesouras USI SAC 300 (patinável)
- Parafusos: ASTM A 325 – tipo 03 - elementos principais
Deformabilidade e tensões de trabalho
Foram desenvolvidos mais de 500 modelos estruturais com o objetivo de varrer todas as possibilidades de carregamento e de montagem.
A flecha entre arcos e tirantes é de 23,18 m; estes conjuntos estão apoiados em megacolunas de concreto armado com seção tubular circular; as colunas têm altura de 42 m, diâmetro de 4,80 m e espessura da parede de 35 cm
Detalhes construtivos
Observações finais
Características
Nome da Edificação: Estádio Olímpico João Havelange
Localização: Rua Arquias Cordeiro s/nº, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, RJ
Data de conclusão: junho 2007
Área total: 182.371,00 m²
Número de pavimentos: 6
Capacidade: 45 mil espectadores
Quantidade de aço utilizado: 3.700 toneladas
O Estádio por Carlos Porto
O Estádio Olímpico João Havelange é do tipo multifuncional, tem forma ovalada com eixos que medem 284 m e 232 m, sem considerar o conjunto de rampas externas. A sua cobertura é metálica, suspensa e atirantada em um conjunto de quatro grandiosos arcos tubulares de aço com 2 m de diâmetro, cobrindo a totalidade da plateia e foi projetado em seis níveis principais, dispondo de um prédio administrativo anexo com salas de apoio às suas várias funções e de uma garage em dois níveis, na cobertura da qual se localiza a área de aquecimento externo de atletas e suas instalações atendem às mais rigorosas normas internacionais de segurança e conforto exigidas para competições de alto nível.
As áreas totais construídas somam 182 mil m² e a projeção do estádio com seus anexos ocupa cerca de 47% da área do terreno compreendido entre as ruas Arquias Cordeiro, José dos Reis, Dr.Padilha e das Oficinas, onde está implantado.
A sua localização em área densamente ocupada e em processo de transformação urbana iniciou uma verdadeira renovação na região, com a melhoria do sistema viário, calçadas e passeios, da drenagem, iluminação e serviços públicos, arborização e sinalização, entre outras. Cuidados especiais ainda devem ser tomados, numa escala de planejamento e intervenções mais abrangentes, para que o tecido urbano e social onde estará inserido possa ser preparado para usufruir integralmente dos benefícios que proporciona.
Estamos atravessando um momento interessante e único na história, no qual podemos associar as mais sofisticadas inovações tecnológicas disponíveis com uma multiplicidade quase ilimitada de possibilidades criativas oferecidas pelos novos materiais e pelas técnicas construtivas mais avançadas. A nós, arquitetos, são oferecidos limites cada vez mais amplos para que possamos transformar em realidade concreta as nossas ideias mais ousadas. Como as que, no nosso caso, pudemos reunir num mesmo edifício: os quatro imensos arcos brancos, as ondulações leves e elegantes das formas de sua cobertura e a estrutura esbelta de concreto das arquibancadas e das circulações do público.
Materializando, assim, quem sabe, na totalidade espacial do conjunto, o risco da trajetória do salto de um atleta que busca superar a altura da barra, o percurso traçado no ar do voo espetacular do goleiro espalmando a bola para escanteio, as caprichosas linhas curvas seguidas pelos pulos da bola quicando no gramado em busca do craque bem colocado e os gestos ondulados dos braços e das mãos da multidão saldando seus times do coração e seus ídolos maiores. A repetição lúdica e inesperada dos arcos do Estádio Olímpico João Havelange, que são a sua marca inconfundível, parece demonstrar de forma inequívoca o acerto da associação plástica entre a vontade criadora e o rigor matemático do cálculo estrutural, agora tornada possível.
Ficha técnica
Proprietário da obra: Riourbe – Empresa Municipal de Urbanização
Construtoras
Fase 1
Consórcio: Racional/Delta/Recoma
Fase 2
Consórcio: Odebrecht/OAS
Projeto
Arquitetura
Arquitetos:
Carlos Porto / Geraldo Lopes / Gilson Santos / José Raymundo Ferreira Gomes Lopes Santos & Ferreira Gomes Arquitetos e Carlos Porto Arquiteto Ltda.
Rua Visconde de Inhaúma, 50, sala 702, Centro, Rio de Janeiro, RJ
Colaboradores:
Cecilia Moreira / Renato Silveira / Diogo Taddei / Rafael Segond / Marcelo Fernandes / Patrícia Miranda / Paola Saito
Consultoria:
Ellerbe Becket inc., Kansas City, USA
Projeto estrutural
Concreto
Engenheiros:
Bruno Contarini / Cesar Pereira Lopes / Waldir Mello / José Eduardo Queiroz / Nivaldo Santos
Metálica
Concepção e cálculo estrutural, projeto básico:
Flavio D’Alembert
Projeto: Alpha Engenharia de Estruturas
Detalhamento:
Jefferson Andrade
Consultoria:
Tiago Abecasis
Projeto de ar-condicionado e exaustão mecânica
DW Engenharia
Projeto de instalações prediais
MBM Engenharia
Comunicação Visual
Modonovo / Bruno Porto
Fabricantes da estrutura de aço e cobertura
Sulmeta – estrutura das tesouras e joists
Indutech – tubos dos arcos e tirantes
Fiscalização
Riourbe e Secretaria Municipal de Obras
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Desenhar com a luz
Ele passeia seu olhar pelas imagens e as capta de forma única.
A tradução mais clara desta certeza é o seu trabalho, que viaja do mais simples retrato à arte fotográfica com uma leveza ímpar.Seja qual for o momento, ele o revela em toda a sua natureza e, por isso mesmo, merece os prêmios recebidos e o reconhecimento de seus clientes.
Em dez anos de profissão, Gilberto Junior já trabalhou em todas as frentes da fotografia, passando pelas diversas situações com ecletismo e olhar apurado. Dos retratos empresariais, para organizações como Bosch e TRW Automotive, às coberturas de baladas e fotos artísticas, seu trabalho é marcado pela precisão e técnica apurada.
Gilberto Junior foi descoberto no concurso Novos Olhares, promovido pela prefeitura de Rio Claro, quando ainda usava uma máquina amadora. A partir de então, tem se aprimorado a cada dia, revelando talento tanto para a fotografia empresarial como quanto para a de marketing.
