quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Razão e sensibilidade


Uma cidade de apenas 85 mil habitantes, rodeada por montanhas cobertas de neve ao norte da Eslováquia, assim é Zilina. Entre as construções com arcadas burguesas dos séculos 16 e 17, no coração da pacata cidade um moderno e arrojado shopping center foi erigido, transformando definitivamente a paisagem com suas luzes, formas e cores.

Inaugurado em fevereiro de 2011, o Mirage Shopping Center pode ser descrito, de fato, como uma “miragem” na região central da terceira maior cidade da Eslováquia. São 22 mil m² para abrigar mais de 100 lojas. A proposta arrojada do projeto arquitetônico, assinado por Michal Divis, revela-se já na fachada, revestida por hexágonos em metal e vidro, que lembram uma grande colmeia. Ao cair da noite, uma surpresa: suaves luzes azuis iluminam o shopping e seu entorno, atraindo a população.


Esta atração mágica é resultado do lighting design da Zumtobel, que criou soluções luminotécnicas baseando-se em sistemas modernos e inteligentes em todas as áreas comuns do conjunto, composto por luminárias e controles de iluminância.


O Mirage é composto por um prédio circular com adjacências retangulares e uma torre redonda, inspirada no Castelo Budatin, situado ao norte da cidade. Uma grande claraboia, em forma de coroa, finaliza o conjunto.


Para este portentoso empreendimento comercial, o escritório Zumtobel desenvolveu um projeto luminotécnio considerando apenas duas únicas e modernas soluções: uma para a iluminação externa e fachada e outra para os ambientes internos de circulação comum. O projeto para as áreas exteriores é simples e funcional. A opção foi por uma luz mais suave para a fachada com produtos Bega, como luminárias de chão e de embutir no teto, e colocou-se uma faixa especial de LEDs em cada ângulo dos hexágonos que a recobrem, com variação no padrões de cores, desenvolvido pela empresa Copper Lighting. Esta solução incomum apenas se revela quando a noite cai: 2.000 spots de LEDs se acendem, e a partir de um controle DMX, cada spot pode ser controlado individualmente.


Nas áreas públicas, foram utilizadas linhas de slotlight e de LED, downlight FD 1000 e luminárias circulares de superfície Ondaria.


Para os interiores, as fontes de luz são de alta qualidade e eficiência e foram pensadas para dar a sensação de luz diurna o tempo todo. O lobby, em forma circular, durante o dia é iluminado por uma grande claraboia, que serve todo o ambiente com luz zenital. À noite, o sistema de controle de iluminação suave de 400 lux das luminárias de teto do sistema Cielo, desenvolvido pela própria Zumbotel, permite a sensação prazerosa e permanente da luz do dia. Os módulos quadrados de iluminação Cielo foram usados tanto nas grandes quanto nas pequenas áreas em dois tamanhos-padrão: em 600mm e 900mm, e com luz branca e coloridas.


Downlights fornecem uma iluminação uniforme no grande lobby, e também têm a função de direcionar os consumidores através dos intermináveis corredores de lojas, enquanto faixas de LED de diferentes cores criam uma atmosfera vívida e confortável nos pisos individuais, criando cenas dinâmicas a cada nova angulação do setor comercial.


Conjuntos de luminárias 2 x 2 foram colocados no teto intercalados por lâmpadas coloridas para oferecer um ambiente de bem-estar enquanto cada pessoa decide o que comprar entre tantas vitrines e serviços.

Na praça de alimentação, a iluminação foi pensada para ser ideal à pausa nas compras. Panos infinitos de downlights de LED e um sistema de spotlights compactos de LED com cones direcionáveis dão vivacidade ao local das refeições, sem contudo tirar o efeito de relaxamento.

As escadas da passagem adjacente que leva ao cinema também foram consideradas e são iluminadas uniformemente por discretas luminárias circulares suspensas.

Todo o shopping Mirage é controlado por um sistema inteligente de gerenciamento de luz, permitindo à administração flexibilizar o uso da energia, de maneira que o cliente participa ativamente do programa de redução de energia do projeto luminotécnico – tanto as luminárias individuais quanto as em grupo no sistema plug & play dimerizadas otimizam a qualidade da luz e o consumo energético, usando sistemas como o Luxmate Professional e o sistema de emergência de LEDs.

O trabalho do lighting design e da arquitetura do Mirage Shopping Center deram motivos suficientes para que ele fosse eleito o “novo coração de Zilina”, consequência, como destaca o arquiteto Michal Divis, “de um trabalho realizado diretamente com a Zumtobel em todas as fases do projeto de lighting design, para oferecer a melhor atmosfera ao shopping e também para obter as melhores soluções para os usuários e investidores. Encontramos na Zumtobel o melhor parceiro para desenvolver e colocar em prática nossas ideias para a iluminação do Mirage”. (Por Deborah Peleias, para a revista L+D, edição 34)




Mirage Shopping Center

Zilina, Eslováquia

Lighting Design: Zumtobel / consultores Marsy Banska Bystrica

Projeto Arquitetônico: Michal Divis

Fornecedor: Zumtobel (sistema modular Cielo, luminárias Ondaria, downlight de panos infinitos, luminária Perluce D Louvre, Resclite, Ecosign, Erogsign, luzes de emergência Comsign, luminárias de sinalização de fuga, Luxmate Professional, Luxmate Daylight), Bega (luminárias de chão e de embutir em parede)

Fotos: Zumtobel

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Linha 4 – Amarela – Metrô São Paulo. Aço inox para as modernas estações paulistanas

Rompendo com o visual monótono e cinza das antigas estações do Metrô de São Paulo, o aço inox inova nos quesitos estética e manutenção da Linha 4 – Amarela

Estação Butantã

Com extensão de 12,8 km e 11 estações, a Linha 4 - Amarela de São Paulo está sendo implantada em duas etapas. A primeira com a construção de seis estações (Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz) e a segunda com as estações intermediárias Fradique Coutinho, Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie, além das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia. Haverá, ainda, a integração com as Linhas 1 - Azul, 2 - Verde e 3 - Vermelha nas Estações Luz, Paulista e República, respectivamente.
Em maio de 2010, duas estações da Linha 4 entraram em funcionamento, a Paulista e Faria Lima, e até o final de 2010 outras duas serão inauguradas, Butantã e Pinheiros. Dentre as novidades arquitetônicas destas paradas, o que mais impressiona é o arrojo da fachada da Estação Butantã: em aço inox, ela inova e se destaca entre as construções vizinhas na região Oeste de São Paulo.
“Para os acabamentos das estações, o Departamento de Arquitetura do Metrô de São Paulo elaborou diretrizes que prevêem o uso de cores e materiais modernos e resistentes para que as estações se tornem marcos urbanos e não desapareçam no tecido da cidade, como aconteceu com as linhas mais antigas”, informam os arquitetos Marc Duwe, Arno Hadlich e Eduardo Velo, da Tetra Projetos, responsáveis pelo projeto das estações Butantã e Faria Lima.
Assim, nas fachadas destas estações foram utilizados o aço inox, o vidro laminado e pastilhas cerâmicas coloridas. Segundo os arquitetos, a opção por estes materiais levou em conta a resistência a ações de vandalismo e custo competitivo. O aço e, principalmente, o aço inox foi extensivamente utilizado nas estruturas da cobertura, revestimentos de fachada, revestimentos internos, guarda-corpos, suportes para comunicação visual e mapas, no mobiliário, como bancos e lixeiras, e acabamentos de elevadores.
Em especial, para a fachada da Estação Butantã, foram estudadas diversas alternativas de materiais e optou-se pelo aço inox por sua durabilidade, resistência a riscos e intempéries e facilidade de manutenção. “Para tanto, foi desenvolvido um sistema de fixação que aproveitasse ao máximo as chapas de aço e evitasse a ondulação da superfície. Este sistema foi testado em laboratório, com pressões e ventos superiores à realidade. Além disso, o aço inox é um material reciclável, resistente, não muda de cor e, principalmente, atendendo as diretrizes da Linha 4 – Amarela criou uma fachada que é um marco na paisagem.”
Por fim, “a arquitetura das estações da Linha 4- Amarela também valoriza a iluminação natural a partir de grandes clarabóias, e o uso de cores visa o bem-estar dos usuários, ao mesmo tempo em que os materiais resistentes e de fácil manutenção têm como objetivo facilitar a operação da estação”, concluem os arquitetos.

Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
Foto: Marcelo Scandaroli

Estação General Osório. Enfim, Ipanema

A população do Rio de Janeiro recebe uma nova e moderna estação de parada, tranformando a região e integrando-a à Comunidade do Cantagalo


Dois dias depois da comemoração do tricampeonato conquistado pela seleção brasileira de futebol, em junho de 1970, foram iniciadas as obras do metrô carioca. Sua linha prioritária deveria ligar a Barra da Tijuca a Ipanema. Em 2009, os trens do metrô finalmente chegaram a Ipanema com a inauguração, em dezembro, da Estação General Osório.
Terceira maior estação do metrô carioca, atrás apenas das paradas Carioca e Estácio, custou cerca de R$ 420 milhões e tem 12 elevadores, 17 escadas rolantes e seis esteiras rolantes. A Concessionária Metrô Rio estima que somente esta estação deverá ter um movimento de cerca de 20 mil passageiros/dia.
De acordo com o arquiteto Heitor Lopes de Sousa, da Rio Trilhos, a concepção da estação teve como ponto de partida as características de uma estação terminal que necessita de três plataformas como forma de otimizar o fluxo de usuários do sistema metroviário. O acesso às plataformas se dá por um extenso mezanino que, por meio de diversas aberturas no piso contribuem para melhorar a ventilação, direciona os fluxos para as escadas de acesso aos trens.
Na superfície, destaca-se a estrutura em tubos de aço que cobre a entrada da Estação General Osório. A ideia, segundo Heitor, era criar um marco na praça, reforçando a chegada do Metrô ao bairro, e foi inspirada, numa referência à proximidade da estação com o mar, na forma dos crustáceos, como lagostas e camarões que possuem em seus exoesqueletos camadas superpostas independentes, que propiciam sua curvatura.
“A estrutura da cobertura foi concebida em quatro seções superpostas e de tamanhos diferentes, com a parte superior na forma de arcos abatidos. Considerou-se a estrutura tubular em arco como a mais adequada. Desta forma, cada módulo é interligado por tubos com seção menor e revestidos, na sua parte superior, com policarbonato alveolar. Nas partes plana e vertical adotou-se o vidro duplo. Para maior estabilidade dos módulos, o contraventamento utiliza tirantes cruzados na parte vertical do arco. E, por fim, a cor branca para os tubos foi adotada para transmitir maior leveza e transparência ao conjunto”, ressalta o arquiteto.
Tanto na estação como em seus acessos, o aço foi empregado como elemento complementar em corrimãos e guarda-corpos, painéis de revestimento, postes de iluminação e comunicação visual, armários técnicos e dutos de insuflação.
Apesar de ter sido executada no método construtivo para túneis em rocha, a arquitetura da estação, em seu corpo principal – áreas de embarque e desembarque de passageiros -, não transmite a sensação de confinamento, pois seu projeto, segundo Heitor, gerou a maior seção de túnel em rocha em meio urbano até hoje no Brasil. Além disso, o mezanino “recortado” propicia uma volumetria diferenciada, oferecendo mais conforto aos usuários.
A acessibilidade e a sustentabilidade também são características da Estação General Osório: nos acessos com maior extensão foram instaladas esteiras e escadas rolantes, e o planejamento da obra teve como foco interferir o mínimo possível no cotidiano de seu entorno. Mais um ponto para a tecnologia dos modernos sistemas construtivos.

Texto publicado na revista Arquitetura&Aço n° 24, dezembro de 2010
Foto cedida pela Ascom da Rio Trilhos